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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Quinteto Metais do Paraná apresenta Rex Richardson

No domingo último, dia de pleito, enquanto muitos se dirigiam às urnas, como era de se esperar, outros (nem tão poucos assim), tomavam um rumo diferente, um pouco mais longo, porém, certamente, mais agradável. E isto, não porque a política em si seja algo sem maiores atrativos -mesmo (ou principalmente) no Brasil-, mas simplesmente porque acordar, mesmo que num domingo atípico de primavera, digamos, outonal, e poder assistir a um grupo de câmara numa formação que lhe é familiar -e melhor ainda, não dispendendo centavo-, é realmente muito mais interessante. Este, aliás, é o caso do projeto Osuel Câmara que, no segundo concerto da temporada, trouxe ao palco do Teatro Ouro Verde, o Quinteto Metais do Paraná e, em sua primeira passagem pelo Brasil, o trompetista norte-americano Rex Richardson.

 

Quinteto Metais do Paraná e o trompetista norte-americano Rex Richardson em sua primeira passagem pelo Brasil. O trompetista é artista residente do London’s Trinity College of Music (UK), professor de trompete e jazz na Virginia Commonwealth University (EUA) e também pertencente ao ról de artistas da Yamaha. (Fotos: Divulgação)

Rex Richardson

Considerado personalidade do ano pela The Brass Herald, revista especializada no gênero, e transitando com facilidade entre a música camerística e o improviso do jazz, Richardson já tocou com grandes nomes do soul e do jazz norte-americanos como Benny Carter, Ray Charles, Dave Holland e Aretha Franklin. Além disto, já excursionou como integrante do quinteto do lendário Joe Henderson, falecido em 2001, e do Chicago Jazz Ensemble, de William Russo. Pela primeira vez no Brasil, o trompetista se apresentou em Londrina e participou da terceira edição do Encontro Internacional de Trompetistas, evento realizado na cidade de Tatuí, em São Paulo, com a organização da ABT (Associação Brasileira de Trompetistas).

Quinteto Metais do Paraná

Formado por Cícero Cordão (trompete), Arthur Fernandes (trompete), Gilberto de Queiroz (trombone) Marcelo das Virgens (trompa) e Guilherme Efron (trombone baixo), o quinteto foi criado em 1993, ano em que Cícero passou a integrar a OSUEL (Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina), onde hoje atua como primeiro trompetista. Deste então, o quinteto, que já dividiu o palco com importantes nomes como Charles Schlueter, ex-primeiro trompetista da Boston Symphony Orchestra (EUA), Frederick Mills, ex-integrante do The Canadian Brass falecido em 1996, e Nailson Simões, ex-membro do Quinteto Brassil de Metais, vem desenvolvendo um trabalho que transita do erudito ao popular, valorizando, principalmente, o repertório original voltado para esse tipo de formação, além de projetos de cunho didático. Apesar de tratar-se de um quinteto, não é incomum vê-lo com seis membros em sua formação. No caso, o coringa atende pelo nome de Vitor Gorni, talentoso baterista que, infelizmente, não se fez presente na ocasião.

Da esquerda para a direita: Arthur Fernandes (trompete), Marcelo das Virgens (trompa), Gilberto de Queiroz (trombone), Guilherme Efron (trombone baixo), Vitor Gorni (bateria) e Cícero Cordão (trompete). (Foto: Divulgação)

Concerto

Como disse há pouco, nem o domingo eleitoral, nublado e friorento, foi capaz de impedir que uma parte significativa dos assentos do teatro fossem preenchidos, fato que chamou a atenção, inclusive, do próprio quinteto. Londrina, aliás, possui tradição nesse tipo de espetáculo, matinal e domingueiro, principalmente, por conta do saudoso Concertos Matinais, projeto idealizado pela professora Magali Kleber que além de dar palco a músicos londrinenses e de outras regiões do país sempre nas manhãs de domingo, dedicava-se a práticas de caráter educativo e de formação de público, assim como o próprio quinteto tem se dedicado.

Programa

O programa deste concerto foi dividido em duas partes: a primeira, erudita, e a segunda, popular. Na primeira, foram executadas obras do norte-americano Eric Ewazen, professor-doutor da reputada Juilliard School em Nova Iorque (EUA), do franco-suíço Arthur Honneger, do austríaco Joseph Haydn, um dos principais compositores do período clássico, provedor das bases para o classicismo de Mozart, Beethoven e Schubert, e, finalmente, do italiano Giuseppe Tartini, compositor barroco e maior violinista do século XVIII. Na segunda, o erudito deu lugar a bossa nova de Tom Jobim e ao jazz de Benny Golson e Duke Ellington. Tanto a primeira como a segunda parte do concerto, foram especialmente arranjadas para quinteto de metais. Quatro delas, aliás, apresentadas na sequência:

Intrada, de Artur Honegger (1892-1955) | (Vídeo: CWDB)

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Concerto em Eb para trompete (Allegro; 1º Mov.), de Joseph Haydn (1732-1809) | (Vídeo: CWDB)

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Programa completo:

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Eric EWAZEN (1954 –) Frost Fire

Bright and fast | Gentle and mysterious | Tense and dramatic

Arthur HONNEGER (1892-1955) Intrada

Joseph HAYDN (1732-1809) Concerto em Eb para trompete [arr. Fred Mills]

Allegro | Andante | Allegro

Giuseppe TARTINI (1692-1770) Concerto para trompete picollo [arr. Fred Mills]

Allegro | Andante | Allegro

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Antônio Carlos Jobim (1927-1994) Bossa Nova [arr. Maestro Duda]

Garota de Ipanema | Wave

Benny Golson (1929 –) I remember Clifford [arr. Gilberto de Queiroz]

Duke Ellington (1899-1974) I Let a Song [arr. Gilberto de Queiroz]

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Concerto em Eb para trompete (Allegro; 3º Mov.), de Joseph Haydn (1732-1809) | (Vídeo: CWDB)

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A filmagem do bis, infelizmente, não ficou legal. A minha tentativa de usar o zoom da maquineta, aliada ao braço já moído pela posição incômoda, frustraram totalmente minhas expectativas antes mesmo do final da música. Também não me perguntem qual o seu nome, pois eu não sei. Entretanto, assim que souber, eu o disponibilizo nos comentários. (Vídeo: CWDB)

Público

Apesar de já possuírmos um público relativamente bem formado, como dito há pouco, percebi que a despeito da qualidade do concerto e dos instrumentistas, do acerto na escolha do programa e também da explicação carismática das obras executadas, fiquei com a impressão de que o público londrinense -ao menos, o presente na ocasião- ainda não está plenamente habituado ao tipo de formação. Digo isto, pois não notei o devido entusiasmo em alguns ótimos momentos da apresentação e também percebi que algumas pessoas deixaram a sala antes da hora. Entretanto, como até mesmo os integrantes do quinteto o fizeram, também me alegrei com a presença acima do esperado para um dia como aquele, de eleições, e como foi bem dito na ocasião, se no próximo concerto cada um dos presentes conseguir levar ao menos um convidado, já quase lotaríamos a parte inferior do Ouro Verde -que, diga-se de passagem, não é pequena. Mas é isso…

Vida longa ao projeto. Vida longa ao quinteto.

Até a próxima!

[ChuckWilsonDB]

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Terminado o I Encontro Paranaense de Composição Musical

Terminou ontem o I Encontro Paranaense de Composição Musical, evento pararelo ao 30º Festival de Música de Londrina. O evento discutiu o panorama atual e futuro da composição musical contemporânea.

Ocorrendo desde segunda-feira, dia 19, no auditório da ACIL (Associação Comercial e Industrial de Londrina), o encontro inaugurou um espaço para a discussão do panorama atual da composição paranaense e também dos rumos e tendências da criação musical contemporânea. Nesta primeira edição, que teve seu desfecho ontem no Teatro Zaqueu de Melo, o encontro contou com a presença de cinco compositores paranaenses de larga experiência na área: Arrigo Barnabé, Chico Mello, Rogério Krieger, Harry Crowl e Mário Loureiro.

Ontem, no Zaqueu, o objetivo foi apresentar parte da produção desses autores -raramente acessíveis, em sua maioria-, a um público ávido por novidades -e, em boa parte, envolvido em cursos e oficinas do festival-, que sim, gostaria de ver, no palco, o resultado prático das ideias debatidas pelos compositores durante os três dias do evento. Apesar da demora excessiva para o início por conta de uma avaria no piano, o recital teve grandes momentos. Parte do resultado pode ser visto abaixo com a apresentação de duas das obras executadas na ocasião: “Improviso”, de Arrigo Barnabé, e “Marcha Acerba”, de Henrique de Curitiba, paranaense falecido em 2008 e irmão do fundador do festival, Norton Morozowicz.

“Improviso”, composição de Arrigo Barnabé executada pelo próprio, ao piano, e por Paulo Braga, ao teclado. Por mais que eu tentasse não mexer a câmera, foi impossível não tremer a imagem. (Vídeo: CWDB)

Abaixo, a transcrição do programa na exata sequência das apresentações: 

Mário Loureiro

Mutações (Camilo Carrara, violão)

Aestus (Camilo Carrara, violão; Fernando Kozu, violão; Ângela Ferrari, violoncelo)

 

Chico Mello

Das Árvores (Paulo Braga, piano; André Erlich, clarinete; Gilberto Gianelli, trombone; Rodrigo Capistrano, saxofone; Waldir Bertiplagia, contrabaixo; Marcelo Casagrande, percussão)

 

Mário Loureiro

Choro (Ana Paula Micheletti, piano)

Doces (Robson Porelli, piano; Naija Santiago, voz)

 

Arrigo Barnabé

Fantasia (Paulo Braga e Karin Fernandes, piano a 4 mãos)

Improviso (Arrigo Barnabé, piano; Paulo Braga, teclado)

 

Henrique de Curitiba

Marcha Acerba (Nadia Belneeva, piano; Nailson Simões, trompete)

 

“Marcha Acerba”, composição de Henrique de Curitiba executada por Nadia Belneeva, ao piano, e Nailson Simões, no trompete. (Vídeo: CWDB)

Para quem ainda não assistiu a nenhuma das apresentações, ainda há tempo. Uma dica interessante -e que muito provavelmente vai agradar até quem não está habituado à música de concerto-, é a apresentação da cantata profana Carmina Burana, de Carl Orff (1895-1982) pela Orquestra Sinfônica e pelos Solistas e Coro do Festival que, na ocasião, estarão sob a regência do maestro japonês Daisuke Soga. Assim como na abertura, o concerto de encerramento do festival poderá ser visto em duas ocasiões: no dia 23, sexta-feira, e no dia 24, sábado. Ambas ocorrerão no Teatro Ouro Verde, às 20h30, com ingressos a R$ 15 (inteira) e a R$ 7,50 (meia).

Bom concerto e até a próxima!

[ChuckWilsonDB]

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Festival de Música de Londrina

Começa hoje, oficialmente, o 30º Festival de Música de Londrina (FML). No concerto de hoje e de amanhã, no Cine Teatro Ouro Verde, a Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (OSUEL) executa peças de Gershwin e Villa-Lobos sob a regência de Norton Morozowicz e da maestrina venezuelana Maria Guinand.

O Festival de Música de Londrina -que neste ano comemora 30 anos de história- começa oficialmente hoje, dia 12, e vai até o dia 24 de julho. E como de costume, ele foi estruturado em duas frentes: uma pedagógica e outra artística. A primeira, que tem como objetivo propor alternativas e novos direcionamentos ao saber e à prática musicais, contará com 55 cursos divididos em módulos como os de práticas de conjunto (orquestra e banda sinfônicas, big band, música camerística, ópera e coral), regência, instrumentos e voz, estruturação musical, música popular, além de atividades pedagógicas voltadas ao público infantil e à terceira idade. A segunda, artística, contará com cerca de 80 concertos que serão distribuídos em vários pontos da cidade e, assim como no FILO, que teve suas apresentações estendidas a cidades como Brasília e São Paulo, o FML também programou incursões em outras praças, porém regionais: Maringá, Apucarana, Rolândia, Porecatu e Sabáudia são as cidades que também constam da grade de progamação do festival.

Principais atrações

Em grande parte retirada da grade pedagógica do evento, merecem destaque as presenças da ucraniana Julija Botchkovskaia, pianista do Conservatório de Moscou, docente da Hochschule für Musik und Theater de Hamburg (Alemanha) e integrante do ról da Steinway Artists desde 2007; da Ensemble New Hope Opera da Alemanha; dos norte-americanos do Vento Trio, grupo especialista em compositores das Américas, composto por flauta, fagote e clarinete; das pianistas coreanas Jaeeum Lee e Hy Yon Park; e também do maestro japonês Daisuke Soga, em sua quarta passagem por Londrina.

  

A pianista ucraniana Julija Botchkovskaia, os alemães da Ensemble New Hope Opera e o maestro japonês Daisuke Soga. (Fotos: Reprodução)

Quanto aos brasileiros, destaque para o tradicional concerto da Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP); para o duo pianístico composto por Fábio e Gisele Witkowski; o exímio trompetista paraibano Nailson Simões; a cirandeira pernambucana Lia de Itamaracá, uma espécie de guardiã dos ritmos tradicionais do nordeste brasileiro que, em passagem pelos EUA, foi definida pelo jornal The New York Times -com certo entusiasmo, talvez- como “diva da música negra”; a Orquestra de Câmara Solistas de Londrina (OCSL), vencedora do Prêmio TIM de Música Brasileira nas categorias “Melhor CD Erudito” e “Melhor Projeto Visual” em 2003; além, é claro, do grande Arrigo Barnabé, compositor londrinense radicado em São Paulo desde os anos 1970 e que traz para Londrina o show “Caixa de Ódio”, uma homenagem que ele faz a outro grande compositor brasileiro, o gaúcho Lupicínio Rodrigues.

A Orquestra de Câmara Solistas de Londrina (OCSL), o trompetista Nailson Simões, os pianistas brasileiros radicados nos EUA, Gisele e Fábio Witkowski e a cirandeira Lia de Itamaracá. (Fotos: Reprodução)

Arrigo Barnabé e a Vanguarda Paulista

Para os desavisados que desconhecem Arrigo e sua obra, ele foi junto a Itamar Assumpção (1949-2003), um dos principais nomes do que se convencionou chamar de Vanguarda Paulista (ou paulistana para alguns), um “movimento” ocorrido na década de 1980 na capital paulista que subverteu os “meandros” da música popular brasileira -já que obteve maior reconhecimento de crítica que de público-, dado o viés experimental das músicas, do caráter urbano e falado das letras e também do aspecto independente dos trabalhos -muito comum hoje em dia no meio musical (mas não naquela época) pelo advento e popularização das mídias digitais e também do alcance global da internet.

Arrigo Barnabé, autor do clássico Clara Crocodilo (1980), de Tubarões Voadores (1984) e da Missa in Memoriam Itamar Assumpção (2007), em homenagem a outro ícone da Vanguarda Paulista e grande amigo do compositor. (Foto: Fernanda Serra Azul)

Concerto de abertura

Neste ano o concerto de abertura -que acontece logo mais no Cine Teatro Ouro Verde- será em dose dupla e terá três peças no programa: o Hino à Londrina, cantando à capella por Fafá de Belém -que poucos sabem, iniciou sua carreira profissional com um show na cidade na década de 1970-; o Concerto para Piano em Fá, de George Gershwin, tendo como solista o pianista -e também diretor artístico do festival- Marco Antônio de Almeida; e os Choros nº 10 para Orquestra e Coro, de Heitor Villa-Lobos. A regência da OSUEL ficará a cargo de seu ex-regente titular e um dos fundadores do festival, Norton Morozowicz, e os coros ficarão sob a batuta da maestrina venezuelana Maria Guinand. O concerto, que acontece hoje e amanhã no tradicional Ouro Verde, terá início às 20h30 e os ingressos podem ser obtidos na bilheteria do teatro a R$ 15 (inteira) e R$ 7,50 (meia).

Bom festival!

[ChuckWilsonDB]

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Festival de Música de Londrina. Onde: Teatro Ouro Verde, Teatro Zaqueu de Melo e espaços alternativos distribuidos por toda a cidade. Quando: de 10 a 25 de julho. Quanto: R$ 20 (show com Fafá de Belém), R$ 15 (concerto de abertura e show com Arrigo Barnabé) e R$ 10 (demais apresentações). Maiores informações: www.fml.com.br.

sábado, 12 de junho de 2010

FILO 2010: Destaques da programação nacional

Ontem começou, oficialmente, a 42ª edição do FILO. E antes tarde do que nunca, aqui vão algumas resenhas sobre três peças que, na minha opinião -de leigo, diga-se de passagem- são das mais interessantes.

Os Fofos Encenam (São Paulo)

O primeiro espetáculo que destaco é a montagem da companhia paulistana Os Fofos Encenam, uma livre adaptação do clássico Álbum de Família, de Nelson Rodrigues, obra que revolucionou o teatro brasileiro. Na peça, o cenário tipicamente carioca do autor foi substituído pelo das casas de engenho nordestinas do sociólogo e  antropólogo pernambucano Gilberto Freyre, autor de Casa Grande & Senzala -obra indispensável para a compreensão do Brasil moderno. Além da mudança de ares, outro aspecto interessante é o empréstimo das memórias familiares dos atores para a composição da montagem, o que acabou conferindo um certo ar pessoal na adaptação do universo desta família supostamente modelo, porém tipicamente rodrigueana. Família, aliás, caracterizada por uma rede de paixões incestuosas que, de tempos em tempos, tem seu cotidiano interrompido para que ganhe vida o álbum da família; um retrato diametralmente oposto do que vai sendo revelado pelos atores ao longo da peça. Em cartaz desde o ano passado, Memória da Cana concorreu ao Prêmio Shell em quataro categorias: melhor direção, cenário, figurino e iluminação. Levou os dois primeiros: melhor direção para Newton Moreno e melhor cenário para Marcelo Andrade. Datas e horários: 12 (segunda apresentação) e dia 13 de junho, às 21h30. Local: Teatro FILO. (Foto: Shima)

Esther Góes (São Paulo)

Outra peça que merece destaque é Determinadas Pessoas - Weigel, monólogo que Esther Góes reencena hoje no Ouro Verde, sobre a vida de Helene Weigel, militante política, esposa e principal intérprete dos papéis femininos do alemão Bertold Brecht, um dos principais nomes da dramaturgia mundial. Dois fatos interessantes que merecem destaque é que além do espetáculo ter sido dirigido por Ariel Borghi, filho da atriz com o ator Renato Borghi, um dos fundadores do Teatro Oficina junto com Zé Celso Martinez Corrêa, sua interpretação teve o aval positivo da biógrafa da atriz alemã, Sabine Kebir, em sua passagem pelo Rio de Janeiro. Data e horário: 12 de junho, em sua segunda e última apresentação, às 20h30. Local: Ouro Verde. (Foto: Reprodução)

Boca de Baco (Londrina)

Interessante também é Navalha na Carne, peça que o grupo londrinense Boca de Baco encena em comemoração aos seus vinte anos de existência. De autoria de Plínio Marcos, um dos mais importantes dramaturgos do teatro brasileiro, a peça -que também já foi vítima da censura, assim como a de Nelson Rodrigues- se passa num quarto de bordel onde a luta de três personagens, a prostituta Neusa Sueli, o cafetão Vado e o homossexual Veludo, denota as relações de poder existentes entre eles em meio a um submundo violento e opressivo. Ao lado de Dois Perdidos Numa Noite Suja, Navalha na Carne é a obra mais encenada do autor. Datas e horários: 19 e 20 de junho, às 22h. Local: Teatro Usina Cultural.  (Foto: Milton Dória)

Na sequência, as demais peças que serão encenadas durante o festival:

Mostra Nacional:

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-A incrível viagem da família aço, Cia. Entreato (RJ)

-A lenda do príncipe que tinha rosto, Cia. de Teatro Artesanal (RJ)

-Acorda Zé! A comadre ta de pé, Grupo Moitará (RJ)

-Aqueles dois, Cia. Luna Lunera (MG)

-Cabul, Cia. Amok (RJ)

-Cidade azul, Cia. Truks (SP)

-Doido, Elias Andreato (SP)

-Encantadores de histórias, Cia. Caixa do Elefante (RS)

-H3, Grupo de Rua /Bruno Beltrão (RJ)

-Marcelo, marmelo, martelo, Cia. Azul Celeste (SP)

-O amor de Peri e Ceci, Circo Teatro Sem Lona (PR)

-O cano, Cia. de Teatro Circo Udi Grudi (DF)

-O dragão, Cia. Amok (RJ)

-O pato selvagem, Cia. Les Commediens Tropicales (SP)

-O sobrado, Grupo Cerco (RS)

-O trenzinho do caipira, Cia. do Abração (PR)

-Ogroleto, Cia. Borogodó/Karen Acioly (RJ)

-Vida, Companhia Brasileira de Teatro (PR)

 

Mostra Regional

 

-A megera domada, Artes Cênicas UEL (Londrina)

-Berço de espuma, Papo Corpóreo (Londrina)

-Bonanza, Grupo “Aspas” (Londrina)

-Cabaré da Confraria, Cia. Confrades (Londrina)

-Drácula, Circo de Palhaços do Picolino (Londrina)

-Homens livres, Cia. Teatro de Garagem (Londrina)

-Mancha Roxa, Cia. Funcart de Teatro (Londrina)

-A metamorfose, Circo de Palhaços do Picolino (Londrina)

-Movimento mínimo, Artes Cênicas UEL (Londrina)

-Olhares grudados, Expressividade Cênica para Deficientes Visuais (Londrina)

-Pândega, Trupe Tangará (Londrina)

-Sobre o teorema ou a solidão dos objetos, Artes Cênicas UEL (Londrina)

-Yemanjá de São Saruê, Cia. de Theatro Fase 3 (Londrina)

Venda de ingressos

A bilheteria do festival está instalada no Royal Plaza Shopping. Os ingressos estão a R$ 20,00, mas existe uma extensa lista de convênios oferecida pelo evento que podem lhe poupar de 20% a 50% do valor das entradas. O festival vai até o dia 27 de junho. Maiores informações: www.filo.art.br.

Bom espetáculo e até a próxima!

[ChuckWilsonDB]

terça-feira, 8 de junho de 2010

FILO 2010: Destaques da programação internacional

No post de hoje, escolhi quatro peças estrangeiras que, a meu ver, merecem destaque dentro da programação do festival. Neste ano a mostra internacional vai contar com a presença de importantes atrações como as companhias de Marta Carrasco, da Espanha, Chapitô, de Portugal, Pippo Delbono, da Itália, Redmoon Theater, dos Estados Unidos e de mais sete outros países como Alemanha, França, Turquia, Romênia, Argentina, Chile e Uruguai.

Cia. Marta Carrasco (Espanha)

Um dos grandes nomes do festival, a Cia. Marta Carrasco, trará em sua segunda passagem por Londrina, um espetáculo criado e dirigido por ela mesma: Dies Irae, en el Réquiem para Mozart. No espetáculo, treze  atores, bailarinos e cantores mostram, sem concessões, a debilidade da verdade. Tendo como pano de fundo a última composição de Mozart, seu Requiem em Ré Menor (KV 626), o espetáculo vai muito além de uma missa fúnebre. Ele invoca o aroma do profano, num misto de fúria, ira, impotência e medo, mas também de irreverência, beleza e risco. Segundo uma entrevista que a atriz e coréografa Marta Carrasco deu a um semanário espanhol, o espetáculo é uma crítica à Igreja: “Com Deus não me meto, tampouco com a fé. Agora, com o instrumento, encontro motivos suficientes para rir e zombar”. Assista um trecho do espetáculo:

“Dies Irae, en el Réquiem para Mozart” (Cia. Marta Carrasco): 18, 19 e 20 de junho, às 20h30. Local: Ouro Verde. (Foto e vídeo: Divulgação)

Cia. Chapitô (Portugal)

Outro destaque desta edição é a cia. portuguesa Chapitô. Desprovido de recursos cênicos mais elaborados, o foco recai, essencialmente, na atuação dos atores. Nesta adaptação de A Tempestade, uma das obras-primas do poeta e dramaturgo inglês William Shakespeare, três atores desdobram-se em dez estranhos personagens que desfilam uma história que envolve amores, vinganças, conspirações e traições políticas. Um verdadeiro contraponto entre a nobreza do espírito e a figura selvagem do instinto. Mas atenção: os ingressos para todas as apresentações já estão esgotados. Datas e horários: 11, 12 e 13 de junho, às 19h. Local: Teatro Zaqueu de Melo. (Foto: Divulgação)

Compagnia Pippo Delbono (Itália)

O terceiro destaque é a provocativa Guerra, montagem da companhia italiana de Pippo Delbono. Inspirado na Odisséia, do lendário poeta grego Homero, a montagem surge do desejo de representar a vida nascida na marginalidade, na doença e no sofrimento, e traduzi-la em gritos, dança e atuação. Desprovido de diálogos e personagens reais, a montagem é composta de fragmentos de histórias de pessoas que perambulam pelo mundo da anormalidade, da loucura, e que são reunidas em torno do mágico mundo do teatro. A companhia do italiano Pippo Delbono é uma das mais importantes da Europa. Datas e horários: 12, 13 e 14 de junho, às 21h. Local: Escola Municipal de Teatro. (Foto: Divulgação)

Redmoon Theater Company (EUA)

Outra peça interessante é The Cabinet, da norte-americana Redmoon Theater Company. Como protagonista, o maquiavélico Dr. Caligari, um hipnotizador que tem como objetivo fazer com que Cesare, seu escravo sonâmbulo, cometa atos monstruosos em seu lugar. Porém, é claro, tudo se complica quando o rapaz se recusa a matar uma jovem. O universo sombrio da montagem -que conta com estranhas marionetes e máquinas complexas- tem como inspiração o clássico do expressionismo alemão O Gabinete do Dr. Caligari (Das Cabinet des Dr. Caligari), filme terror de 1919. A história é uma crítica à figura das autoridades alemãs -na história representadas pelo louco Caligari-, que impõem sua vontade sobre a sociedade -neste caso, representada pelo jovem sonâmbulo-, conduzindo-a a atitudes impensadas e, por consequência, trágicas. Mas assim como no caso da Cia. Chapitô, há um detalhe: todos os ingressos já estão esgotados.

“The Cabinet” (Redmoon Theater Company): 12, 13 e 14 de junho, às 21h. Local: Escola Municipal de Teatro. (Foto e vídeo: Divulgação)

As demais montagens:

 

-Braquage, Cie. Bakélite (França)

-Dervish, Ziya Azazi (Turquia)

-Diciembre, Teatro en el Blanco (Chile)

-Don Juan, memória amarga de mi, Companyia Pelmànec (Espanha)

-El último herdero, Cia. Teatro Viaje Inmovil (Chile)

-Gatomaquia, La Cuarta Colectivo Artístico (Uruguai)

-Intérieur nuit, Jean-Baptiste André (França)

-La gigantea, Cie. Les Trois Clés (França/Brasil/Chile/Romênia)

-La noche antes de los bosques, Mike Amigorena (Argentina)

-LIFE.stories, Marc Schnittger (Alemanha)

-Modules, Jean-Baptiste André (França)

-Neva, Teatro en el Blanco (Chile)

Venda de ingressos

Assim como nos anos anteriores, a bilheteria do festival foi instalada no Royal Plaza Shopping. Os ingressos estão a R$ 20,00, mas existe uma extensa lista de convênios oferecida pelo evento que podem lhe poupar de 20% a 50% do valor das entradas. Neste ano, entretanto, os ingressos estão sendo vendidos em dois lotes. O primeiro, que já está à venda, compreende os espetáculos apresentados entre 10 e 19/06. O segundo, voltado para o período entre 20 e 27/06, só começará a ser vendido a partir desta quinta-feira, dia 10/06. Maiores informações: www.filo.art.br.

No próximo post, a vez é dos destaques nacionais.

Bom espetáculo e até a próxima!

[ChuckWilsonDB]

domingo, 6 de junho de 2010

O festival de todas as artes está de volta

Na próxima quinta-feira, dia 10 de junho, começa a 42º edição do FILO. Conheça um pouco da história do mais antigo festival da América Latina e também do contexto que envolveu sua criação, em 1968.

Um turbilhão de acontecimentos marcantes tomaram o mundo de assalto no mítico ano de 1968. Época em que uma primavera tencionava humanizar a ortodoxia stalinista no leste europeu, mas que logo seria solapada pelos tanques soviéticos. Em que dois grandes líderes mundiais seriam assassinados e uma mal fadada guerra a um pequeno país asiático, resultaria num grande movimento pela não-violência e numa amarga derrota para uma grande potência. Época também de repressão no Brasil. De guerra contra os subversivos (com e sem aspas). De tortura. De exílio. Época em que um grupo de universitários e intelectuais londrinenses fariam brotar um festival que hoje, 42 anos mais tarde, além de ser o mais antigo da América Latina, é considerado patrimônio cultural do teatro brasileiro pelo ICOMOS/Unesco.

       

Fatos marcantes de um ano mítico: Primavera de Praga (antiga Tchecoslováquia); edição especial da revista Life sobre o assassinato de Martin Luther King; assassinato do presidente norte-americano John F. Kennedy; lançamento do filme Yellow Submarine dos Beatles; Guerra do Vietnã; lançamento de 2001: Uma Odisséia no Espaço, filme de Stanley Kubrick; Edson Luís Lima Souto, o estudante morto por um policial no Rio de Janeiro, foi o que deu início à simpatia da opinião pública pela causa estudantil; o jornalista Wladmir Herzog assassinado durante o AI-5; cartaz do FILO (Festival Internacional de Londrina). (Fotos: Reprodução)

Jogos Universitários, Festival Universitário, FILO

Em 1968, o desejo de um estudante engajado de desenvolver uma base cultural na cidade, faria com que um grupo de faculdades isoladas decidisse expandir os horizontes de um festival esportivo, transformando-o no I Festival Universitário de Londrina. Délio César, o tal estudante, chegou à conclusão de que os Jogos Universitários não supriam essa necessidade e, assim, idealizou algo mais amplo, heterogêneo, que pudesse integrar várias vertentes culturais, dentre elas a música e o teatro. Nascia assim o embrião do FILO (Festival Internacional de Londrina).

 

Três figuras marcantes na história do FILO: o jornalista Délio César, idealizador do festival, a médica Nitis Jacon, sua presidente de honra, e o jornalista Apolo Theodoro, voluntário, ator e diretor de várias peças encenadas no festival. (Fotos: Reprodução).

Embrião concebido, foi a vez de Nitis Jacon entrar em cena. Fundadora dos grupos Gruta, Núcleo e Proteu, a ex-vice-reitora da UEL (Universidade Estadual de Londrina), ex-presidente do Centro Cultural Teatro Guaíra e, atualmente, presidente de honra do FILO, foi uma figura-chave para o sucesso e a longevidade do festival. À convite do próprio Délio César, ela compôs, inicialmente, a comissão julgadora do braço musical do evento. Quatro anos mais tarde, porém, ela assumiria suas rédeas, aceitando o convite para integrar a CAC (Coordenadoria de Assuntos Culturais) da recém criada UEL, em 1971. Com isto, Nitis assumiu seu setor de teatro e, em seguida, tornou-se diretora da quarta edição do evento que, a partir de então, passou a contar com a chancela da universidade. O festival, entretanto, só passaria a ter o nome e a configuração que hoje conhecemos, em 1990. Sobre o novo nome escolhido, Nitis esclarece*: “Queríamos fugir do costumeiro FIT e, brincando com as tiradas do bizarro Jânio Quadros, a equipe dizia: FILO porque Qui-lo. Nós quisemos, todo mundo acabou querendo.” E assim ficou.

*em entrevista ao portal Planeta Londrina.

Marcos na história do festival

Foram muitos os momentos marcantes do festival, mas muitos também foram os desafios ao longo dessas mais de quatro décadas de atividade. Cenários, foram os mais diversos. Repressivos, redemocratizantes, economicamente desastrosos. Em comum, entretanto, a dificuldade de levantar recursos para mantê-lo vivo sem perda de qualidade, nem de ousadia.

Centremo-nos, porém, nas realizações. Como em 1988, ano de sua internacionalização, quando foi realizada -pela primeira vez no Brasil- a Mostra Latino-Americana de Teatro, um marco para as artes cênicas brasileiras. Ou em 1994, quando Londrina se tornou a primeira cidade fora do continente europeu a sediar uma sessão pública do ISTA (International School of Theatre Antropology), um centro de investigação no campo da antropologia teatral, fundado em 1979, por Eugenio Barba -um dos principais nomes do teatro mundial. Ou ainda em 1998, ano em que realizou a única exposição individual, ainda em vida, do fotógrafo Haruo Ohara (1909-1998). Ou 2000, quando passou a exercer, oficialmente, sua vocação multifacetada de Festival de Todas as Artes, englobando aos seus interesses diferentes segmentos artísticos como a música, a dança, o circo, a fotografia e as artes plásticas.

Kazuo Ohno

Nomes de peso passaram por aqui. Como em 1992, ano em que Kazuo Ohno, criador e mestre do teatro Butoh, arte que mistura dança e artes dramáticas, retornou quinze vezes ao palco para agradecer os aplausos, até que seu filho, Yoshito Ohno, pedisse que não mais o aplaudissem, já que ele estava cansado e, enquanto houvesse aplausos, ele voltaria para agradecê-los. O coreógrafo e dançarino japonês, então com 86 anos, viria a morrer dezessete anos mais tarde, coincidentemente, na última terça-feira, 1º de junho, vítima de insuficiência respiratória. [Veja matéria no Metrópolis]

Eugenio Barba e Peter Brook

Outros momentos marcantes ocorreram nas passagens do italiano Eugenio Barba -e sua lendária Odin Teatret (Dinamarca)- e do diretor britânico Peter Brook, dois dos principais nomes do teatro mundial. A primeira passagem de Barba se deu em 1991, com a Mostra Odin Teatret, ocasião em que apresentou quatro espetáculos, além de filmes, conferências, cursos e oficinas. A segunda ocorreu em 1994, onde encenou Theatrum Mundi, peça montada sobre um palco flutuante no Lago Igapó, e na já comentada 8ª edição pública do ISTA (International School of Theatre Antropology). E a terceira e última ocorreu em 2008, ano em que foi comemorado o 40º aniversário do festival, onde encenou Os Sonhos de Andersen, espetáculo baseado em anotações do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen (1805-1875), autor de clássicos infantis como O Patinho Feio, A Roupa Nova do Imperador, O Soldado de Chumbo e Polegarzinha.

No mesmo 2008, o festival também teve o prazer de receber o renomado diretor britânico Peter Brook -e sua cia. Theatre des Bouffes du Nord-, com a peça Fragments, montagem que reúne quatro pequenas peças e um poema de Samuel Beckett (1906-1989). Brook, que já co-dirigiu a tradicional Royal Shakespeare Company ao lado de Peter Hall, hoje está à frente de seu próprio centro de estudos em Paris, o Centro Internacional para a Investigação Teatral, onde desenvolve pesquisas sobre as origens do teatro.

Outras Companhias

Além desses mestres do teatro contemporâneo, foram memoráveis também as passagens da companhia argentina De La Guarda, com o espetáculo Período Villa Villa (1996); da prestigiosa -porém extinta- companhia canadense Carbone 14, de Gilles Maheu (1997) -que só aceitaram vir com a montagem Les Âmes Mortes por se tratar do FILO, uma vez que ela sequer cabia no Ouro Verde-; e da diretora alemã Angie Hiesl (1998), com a intervenção X-Vezes Gente Cadeira (x-mal Mensch Stuhl), onde atores da terceira idade -da londrinense Cia. Fase 3-, foram colocados em cadeiras pregadas às paredes externas de vários prédios da cidade, praticando afazeres cotidianos como, por exemplo, comer uma fruta, costurar um vestido ou escrever poemas e soltá-los ao vento.

Fotos: [1] Eugenio Barba por Piotr Topperzer - [2] Haruo Ohara por Haruo Ohara - [3] Kazuo Ohno por Fondazione Meeting per l'amicizia fra i popoli - [4] Peter Brook - Reprodução.

No próximo post, os destaques da programação internacional.

Até a próxima!

[ChuckWilsonDB]

sábado, 22 de maio de 2010

Concerto de lançamento do 30º Festival de Música de Londrina

Por conta da minha falta de disposição para dar sequência às minhas últimas postagens -pelo menos, por enquanto-, mudo o rumo dessa prosa para dizer que, amanhã, dia 23, tem concerto da OSUEL (Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina) lá no Cine Teatro Ouro Verde. Concerto especial, diga-se de passagem, já que marca a entrada do nosso segundo mais antigo festival na antes temida casa dos trinta -os novos vinte, segundo dizem. Aliás, é bom perceber que, à cada ano, ele vem recuperando seu antigo vigor, perdido desde a saída de seu atual diretor artístico, o pianista Marco Antônio de Almeida.

 

  

Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina e o regente da noite, Alessandro Sangiorgi. (Foto: Reprodução)

Concerto

O concerto de amanhã, que terá início às 20h30 e é gratuito, ficará sob a batuta de Alessandro Sangiorgi, regente titular da OSP (Orquestra Sinfônica do Paraná) e terá o próprio Marco Antônio de Almeida como solista. No programa, a Abertura Festiva (Festive Overture, Op. 96) de Dimitri Shostakovich (1906-1975), o Concerto para Piano e Orquestra (Piano Concerto in A Minor, Op. 54) de Robert Schumann (1810-1856) e a Sinfonia Sopra una Canzone d'Amore de Nino Rota (1911-1979); este, famoso pelas composições feitas para filmes de Fellini como La Dolce Vita, 8 ½, Satyricon e Amarcord, Luchino Visconti com o seu O Leopardo (Il Gattopardo) e Coppola com a trilogia de O Poderoso Chefão (The Godfather: Parts I, II & III).

 

  

Da esquerda para à direita: Schumann, Shostakovich e Nino Rota. Abaixo, o solista e diretor artístico do festival, Marco Antônio de Almeida. (Fotos: Reprodução)

Solista

Almeida, que é londrinense, iniciou seus estudos de piano aqui mesmo em Londrina. Assim que concluiu o curso de Medicina, transferiu-se para a Alemanha onde estudou na Escola Superior de Música e Teatro de Hamburgo como bolsista do DAAD (Deutscher Akademischer Austauschdienst). Frequentou cursos de mestres renomados como Magda Tagliaferro, Christoph Eschenbach e Carlo Zecchi. Como intérprete de Mozart, já se apresentou nos mais conceituados festivais alemães, além de já ter gravado com a Orquestra de Câmara Filarmônica de Berlim. Dentre aqueles com quem já teve o prazer de dividir o palco em apresentações camerísticas merecem destaque o violoncelista Antonio Menezes, a oboísta norte-americana Anne Leek, o Quarteto de Cordas de São Paulo e o Quinteto de Sopros de Moscou.

Festival

Quanto ao festival, que ocorre entre 10 e 25 de julho, em breve farei um post exclusivo -eu espero, pelo menos.

Bom concerto!

[ChuckWilsonDB]

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Concerto de Lançamento do 30º Festival de Música de Londrina. Apresentação: OSUEL (Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina). Regência: Alessandro Sangiorgi, maestro títular da OSP (Orquestra Sinfônica do Paraná). Solista: Marco Antônio de Almeida (pianista). Obras: Composições de Schumann, Shostakovich e Nino Rota. Onde: Cine Teatro Ouro Verde (r. Maranhão, 85, Centro). Quando: domingo, às 20h30. Quanto: grátis. Informações: tel. 0/xx/43/3322-6381. [como chegar]