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sábado, 19 de março de 2011

De volta ao eletrônico

Deixando de lado a cadência arrastada e sombria da penúltima postagem, volto agora minha atenção para o espírito explosivo e anárquico do Crystal Castles e do Kap Bambino. Duas duplas que não se fazem de rogadas na hora de usar seus sintetizadores, distorções e manipulações vocais para mostrar a que vieram.

Crystal Castles (Foto: Divulgação) Crystal Castles - Crystal Castles II (Foto: Divulgação) Crystal Castles (Foto: David Waldman - KWC)

Crystal Castles

Crystal Castles : Crystal Castles II (2010 : Electroclash/8-bit)

Ouça: http://is.gd/AUDawO Baixe: http://is.gd/UuZo1P [por SoundGum]

A princípio, este duo canadense criado no finalzinho de 2003 por Ethan Kath e Alice Glass, não ficaria marcado apenas pela qualidade do primeiro álbum, mas também por apresentações pífias e fatos polêmicos ligados, se não estou enganado, à ilegalidade de certos samples e imagens que eles andaram utilizando. Superados, no entanto, os problemas iniciais e também as dúvidas sobre se eles conseguiriam ou não igualar -ou mesmo superar- os resultados obtidos com o primeiro trabalho, eis que eles surgiriam com este segundo álbum -mais bem produzido e mais coeso que o anterior- fato que acabou lhes rendendo, inclusive, uma parceria tardia com ninguém menos que Robert Smith, o icônico líder do The Cure, em Not in Love.

Ainda marcado por uma profusão de distorções, samples enlouquecidos, muita gritaria e, agora, em menor escala, pela base 8-bit das composições (estas, criadas a partir de consoles de videogames com chips de 8 bits como os velhos Atari, SNES e Mega Drive), ele também apresenta um lado menos barulhento, mais delicado e, portanto, mais acessível; caso, por exemplo, de Celestica, Suffocation e da própria Not in Love (aqui, sem a presença de Smith). Bom… De qualquer forma, um excelente álbum. Minhas favoritas: Fainting Spells, Doe Deer, Year of Silence, Empathy, Birds e I Am Made of Chalk.

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Doe Deer, uma das minhas favoritas, porém em vídeo não-oficial.

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Crystal Castles em passagem por um club de Santiago (Chile) em setembro passado.

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Kap Bambino (Foto: Pia Nøtt).Kap Bambino - Blacklist (Foto: Divulgação) Kap Bambino (Foto: David Richardson)

Kap Bambino

Kap Bambino : Blacklist (2009: Electroclash/8-bit)

Ouça: http://is.gd/j2kdqJ Baixe: http://is.gd/JPuLLk [por MusicNes]

Formado em 2001 por Orion Bouvier e Caroline Martial em Bordeaux -cidade francesa conhecida no mundo todo por suas prestigiosas vinícolas-, o Kap Bambino é um duo que também pode ser caracterizado pelos vocais ferozes e pela postura de palco agressiva também compartilhada pelo Castles, mas eu diria que um pouco mais suja e eletrizante -o que, particularmente, me agrada muito. Donos do próprio selo, o Wwilko, e ambos detentores de projetos paralelos -ela com o Khima France e ele com o Groupgris- a banda já foi destaque em diversas publicações especializadas como Dazed and Confused, Another Magazine e também na NME que, inclusive, apontou seu primeiro álbum, Zero Life Night Vision, como o equivalente eletrônico de nada menos -vejam vocês- que The Queen Is Dead, dos Smiths. Pois é… Aliás, como de costume, seguem minhas favoritas: Dead Lazers, Lezard, Red Sign, Razozero e Batcaves. Enjoy!

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Red Sign, a primeira faixa que me pegou de jeito no álbum.

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Batcaves em vídeo ágil, porém com o espírito remanescente do meu penúltimo post.

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No mais, é isso. Nos próximos posts -não necessariamente na sequência-, mais resenhas de coisas legais que eu tenho ouvido ultimamente. Atuais ou nem tanto.

Até a próxima!

[ChuckWilsonDB]

terça-feira, 15 de março de 2011

Saindo das sombras

Prosseguindo na busca por coisas novas e interessantes que possam dar uma arejada na minha já empoeirada biblioteca de mídia, encontrei mais alguns álbuns que, ao contrário do penúltimo post, já não precisaram mais ser ouvidos a partir de lugares alheios ao meu próprio HD; este, aliás, devidamente otimizado e, pelo que tudo indica, bastante satisfeito com a leva de novos sons que, paulatinamente, têm ocupado os lugares tornados vazios pela faxina. Só que se antes a primazia vinha dos improvisos, da sofisticação dos arranjos ou mesmo do experimentalismo ou do funkeado das execuções, a desta nova postagem prima, justamente, pelo aspecto sujo, sombrio e carregado de um gênero que, dia a dia, tem conseguido atingir -e, mais importante, influenciar- um público cada vez mais distante do que seria natural esperar. Confira:

Salem (Foto: Divulgação) Salem - King Night (Foto: Divulgação) Salem (Foto: Divulgação)

Salem : King Night (2010 : Drag/Witch House/Spookycore)

Ouça: http://is.gd/39pNKQ Baixe: http://is.gd/LtOnJl [por New Album Releases]

A atmosfera deste álbum é carregada, soturna e claustrofóbica em sua essência, mas também etérea e melancólica em alguns momentos. No entanto, para quem não está habituado a nada que, mesmo de leve, se assemelhe ao gênero, pode, sim, se sentir um tanto quanto incomodado não só com as músicas, mas também com os vídeos -vários deles de aspecto sujo e amador, o que acaba acentuando o aspecto sinistro que pode (ou não) incomodar quem os assiste. Baseado em Traverse City, uma pequena cidade situada no estado do Michigan, nos Estados Unidos, o trio -já considerado um ícone do gênero- é composto por John Holland, Heather Marlatt e Jack Donoghue. Do álbum, eu destaco quatro ótimas faixas: King Night, Asia, Release da Boar e Trapdoor. E aí? Vai encarar?

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Asia, uma das músicas que eu mais gosto e dona de um dos vídeos mais trash também.

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King Nigth, assim como o anterior, incômodo para alguns.

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oOoOO (Foto: Divulgação) oOoOO - oOoOO (Foto: Divulgação) oOoOO (Foto: Divulgação)

oOoOO : oOoOO EP (2010 : Drag/Witch House/Spookycore)

Ouça: http://is.gd/lYRJ2L Baixe: http://is.gd/CwFC2l [por Last Grooves]

Projeto solo do também norte-americano Christopher Greenspan, este EP também é marcado por uma atmosfera densa e por vezes sombria, mas ao contrário de seu antecessor aqui no post, ele vem permeado por vozes doces, femininas, fato que acaba tornando-o muito menos sinistro e, por consequência, bem mais facilmente digerível por aqueles ainda não habituados ao estilo. Na minha opinião, Mumbai e Burnout Eyess são as melhores do EP; a primeira, aliás, a melhor das duas.

Ah, sim… Quanto ao nome. Também não faço a menor ideia de como se pronuncia.

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Mumbai, na minha opinião, a melhor do EP.

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No Shore, novo single do, aparentemente, impronunciável oOoOO.

No próximo post (do gênero), sigo ainda nesta linha, mas de uma forma, digamos, um pouco mais amena.

Até a próxima!

[ChuckWilsonDB]

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Patti Smith no Milênio

Dias atrás, o Milênio fez uma bela entrevista com uma lenda viva do punk rock, Patti Smith. Na entrevista concedida a Jorge Pontual, a poetisa e cantora relembra fatos da infância, de sua mudança para Nova Iorque, do relacionamento com o fotógrafo Robert Mapplethorpe, de quando ambos se mudaram para o icônico Chelsea Hotel -notório por hospedar e servir de morada para diversos escritores, atores e músicos como Bukowski, Ginsberg, Janis Joplin, Iggy Pop, Bob Dylan entre tantos outros-, além, é claro, de sua carreira, influências e do lançamento de seu mais recente livro: Só Garotos. Lançado no país pela Cia. das Letras, trata-se de uma autobiografia que tem como pano de fundo sua história de amor com Mapplethorpe, além da visão apaixonada que a artista tem da contracultura americana. Além da entrevista em si, compartilho também os nove minutos adicionais que a emissora postou mais tarde com detalhes inéditos de sua conversa com Pontual; esta parte, inclusive, até mais saborosa que a primeira. Enjoy!

 

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Milênio com Elizabeth Carvalho, Jorge Pontual, Lucas Mendes e Sílio Boccanera: todas as segundas às 23h30 na Globonews.

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Só Garotos - Patti Smith, Cia. das Letras

Saraiva | Cultura | FNAC

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Assista a mais nove minutos de material inédito da conversa que Patti Smith teve com Jorge Pontual.

Até a próxima!

[ChuckWilsonDB]

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Os projetos de Monique

Somente após a banda EX! ser anunciada no line-up do Planeta Terra em 2009, é que o nome de sua vocalista deixou de ser uma incógnita para mim. Mas ao invés de apenas criticar a escolha, resolvi ir em busca de mais informações e acabei descobrindo que ela, Monique Maion, 24, além de estar em meio a quatro (bons) projetos paralelos, MonMaion, Sunset, Die Katzen e EX!, faz parte de um coletivo de artistas que compõem uma parcela bem interessante do que tem rolado de bom no atual cenário independente paulistano.

Do mundo corporativo ao cenário independente

Apresentada pela revista Rolling Stone como a “nova voz paulistana”, Maion estuda música desde os sete anos e compõe desde os quatorze. Formada em canto e, o mais inusitado, em Ciências Contábeis, atuou durante quatro anos na gigante global PricewaterhouseCoopers (firma especializada em consultoria, auditoria e outsourcing) auditando grandes corporações, antes de se entregar definitivamente à música e ao cenário independente.

Rolling Stone Brasil (Foto: Divulgação)

MonMaion

O primeiro projeto -solo, ma non troppo, já que ultimamente tem sido acompanhada por uma banda fixa e com voz ativa no processo criativo- recebeu o nome de MonMaion. Nele, ela encarna a prostituta Lola, descrevendo suas venturas e desventuras, em composições próprias influenciadas pelo blues e pelo jazz e também por nomes do calibre de Tom Waits e Annette Peacock. Isto, claro, acompanhada de excelentes músicos como Fernando Coelho na guitarra e Ladislau Kardos na bateria -ambos do Mamma Cadela; Maurício Biazzi no baixo acústico -integrante da icônica Patife Band de Paulo Barnabé; e Piero Damiani no piano Rhodes, que também toca na Numismata. Recentemente, gravou seu primeiro álbum, Lola -que aliás, ficou bem bacana-, com produção de Luiz Thunderbird.

Monique Maion na pele de Lola, o alter ego que dá vida ao trabalho solo, MonMaion (Foto: Divulgação)

Sunset

O outro trabalho, mais simples e acessível, é uma parceria entre ela e Gustavo Garde, vocalista da  Seychelles -outra banda paulistana bastante competente e já resenhada aqui no blog [leia]. Nele, ambos conseguem imprimir um toque pessoal nas composições que vão do country ao folk e ao rock, desembocando num tropicalismo mambembe e rural que, não  à toa, foi gravado num sítio onde se mantiveram presos, somente quatro meses após terem se conhecido.

Run With Me, destaque do único EP gravado pela dupla, o homônimo Sunset.

Die Katzen

O terceiro trabalho -meu favorito, aliás-, é a banda Die Katzen, de viés mais experimental e eletrônico, que lembra em vários momentos o trip hop do Portishead, só que não com Beth Gibbons no vocal, mas… com Róisín Murphy, a bonita e talentosa vocalista do já extinto Moloko. Com composições que remetem a um “submundo sarcástico, erótico, imprevisível e auto-sustentável”, como ela mesma as descreve em entrevista a Alex Correa da Reverbcity, portal especializado em moda e comportamento indie-rocker, o trio -que também é formado por Renato mCortez (Seychelles) e Ismael Sendeski (Mamma Cadela)- ainda não se apresentou ao vivo e apenas recentemente disponibilizou para streaming seu primeiro EP no Myspace. Altamente recomendável.

EX!

Já em relação ao seu mais recente trabalho, a banda EX!, o enfoque muda e torna-se mais dançante e desencanado, porém não menos bem produzido; aliás, muito pelo contrário. De raiz electro-pop, a banda que recentemente fez parte do line-up do último Planeta Terra, tem direção musical de Arthur Joly, músico que faz um interessante trabalho dentro da música eletrônica, além de ser fundador da gravadora Reco-Head e guitarrista da banda; direção artística de Carlos Pazetto (Brazil’s Next Top Model), referência na produção de eventos e desfiles no mercado de luxo brasileiro; fotografia do stylist Ciro Midena; além de contar com a parceria, diria, estratégica, da Chilli Beans, maior rede de óculos escuros do país e fornecedora de importantes marcas como Forum, Zoomp e Iódice.

Monique se apresentando com a banda EX! no Planeta Terra 2009 (Foto: Divulgação)

Aliás, este último ponto é interessante, pois é muito provável que essa impetuosidade e esse desprendimento mercadológicos sejam reflexos de sua formação acadêmica e também da experiência profissional adquirida em sua passagem pelo universo corporativo, que na medida certa, a afasta do famoso preconceito que diz que negócios, entretenimento e cultura não podem conviver em harmonia.

Making of: EX! se apresentando no Coca-Cola Clothing, festa de encerramento do Fashion Rio deste ano e que teve a produção de Carlos Pazetto. (Vídeo: Arthur Joly)

A Firma

E certamente, não poderia deixar de finalizar este post sem voltar a mencionar o tal coletivo de artistas que Monique faz parte, a Firma. E isto, simplesmente, porque ele compõem um leque interessante de bandas como Mamma Cadela, Seychelles, Ludov, Ancestral, Liga Leve, Sala do Aborto, Heroes, ILoveAmy, além dos projetos já mencionados da cantora e mais alguns outros que ilustram bem -como já havia dito- o atual cenário independente paulistano. Ouça sem preconceito.

Até a próxima!

[ChuckWilsonDB]

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Veja também:

Monique Maion gravando Monkey Skull, do álbum Lola, para o quadro 10 Horas no Estúdio do programa Radiola (Trama).

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Música com sanduíche de mortadela

Minha última passagem por São Paulo, como não podia deixar de ser, foi fantástica em alguns aspectos, frustrante em outros. Fantástica, pois numa mesma noite assisti a dois shows sensacionais que eu já havia perdido em 2005, no Claro que é Rock, e que pensei que jamais teria a oportunidade de vê-los juntos novamente -ao menos, não no Brasil: Sonic Youth e o lendário Iggy and the Stooges.

Ah, claro! Tiveram outros -afinal de contas, era um festival. E alguns muito bons como no caso dos brasileiros EX! (SP), Macaco Bong (MT) e Móveis Coloniais de Acaju (DF) -que, diga-se de passagem, eu perdi por ter não ter conseguido chegar a tempo no Playcenter, local dos shows-; dos britânicos Primal Scream -mornos na ocasião-, Maxïmo Park e Patrick Wolf; do mezzo brasileiro N.A.S.A. e dos DJs Anthony Rother (Alemanha) e Etienne de Crécy (França).

Kim Gordon (Sonic Youth) rodopiando no palco: entusiasmo de adolescente (Foto: Reinaldo Marques - Terra)

Mas nada que rivalizasse com os dois -e mais um terceiro que vocês logo saberão qual é- que nos proporcionaram momentos antológicos como o tombo -ou o quase-tombo da onde eu estava- da Kim Gordon no palco, desequilibrada pelos rodopios infantis -e alucinados- de quem estava satisfeita por estar onde estava; a invasão de um centena de fãs ensandecidos a pedido de um Iguana igualmente insano que do alto dos seus 62 anos, com sua lordose a tiracolo e seu saracoteio tradicional, viu mais tarde serem expulsos com truculência pelos seguranças que não pouparam sequer os fotógrafos que, assim como eles, estavam ali a trabalho; ou ainda sua já famosa bunda de fora ao final do show com a sensacional Lust for Life (ouça abaixo – 4’40) que os menos desavisados devem conhecer da trilha de Trainspotting.

Fãs atendendo ao pedido de um “solitário” Iggy Pop no palco: “I’m alone” - reparem que eu apareço bem no meio da gravação (Vídeo: CWDB)

E ainda houve tempo para uma segunda invasão -igualmente animada, porém desta vez pacífica-, e justamente no palco da tal terceira opção mencionada a pouco, o N.A.S.A. (North America South America), grupo formado pelo produtor Sam Spiegel -irmão do cineasta norte-americano Spike Jonze- e pelo ex-Planet Hemp DJ Zegon. O show, com seus samplers, robôs e alienígenas b.boys, acabou superando minhas expectativas e, juntamente com Iggy e seus “patetas” e o Sonic Youth, figurou entre os pontos altos do festival -dos que eu pude conferir, obviamente. Isto sem contar o próprio Playcenter, com seus brinquedos liberados, sua bem estruturada praça de alimentação e suas grandes filas molhadas pela chuva -às vezes fina, noutras nem tanto- que insistiu em cair durante boa parte do festival.

Assista com ou sem legendas.

Terminado o festival -não antes de andar em pelo menos dois dos brinquedos-, nos juntamos, pegamos um táxi e voltamos ao hotel que ficava quase encostado ao Playcenter. Pegamos um taxista com cara de poucos amigos -talvez por conta do valor da corrida, inexpressivo pela distância- e fomos embora. Cheguei, empacotei, mas não antes de ajustar o despertador do celular para me acordar algumas poucas horas mais tarde -umas duas ou três mais ou menos. Afinal, um sanduíche de mortadela me aguardava ansioso no mercadão.

Qualquer semelhança com o Teatro Municipal não é mera coincidência. O escritório Francisco Ramos de Azevedo, responsável pela construção do mercadão, também assinou o projeto do teatro. (Fonte: Reprodução - NossaCozinha)

E é justamente aí que reside a minha frustração. Pois apesar dos shows memoráveis, do parque de diversões, das companhias agradáveis e da minha quase-invasão de palco no show dos Stooges -já que eu apenas pulei a grade e fiquei no fosso junto aos fotógrafos, visto que, naquela altura, os seguranças já estavam distribuindo sopapos em quem quer que se atrevesse a cruzar seus caminhos-, minha estada havia sido reduzida para antes do almoço, mesmo tendo todo o domingo pela frente e estando a apenas oito míseras horas de distância de Londrina; e isto de ônibus!

O famoso sanduíche de mortadela do mercadão em São Paulo (Foto: Reprodução – Seu Restaurante)

Frustrado -pero no mucho, já que na volta pra casa esbarramos com o Sonic Youth no Hilton-, fui obrigado a adiar mais uma vez o sanduíche de mortadela do Bar do Mané no mercadão e, pior, deixei de conferir a tão aguardada exposição d’osgemeos no MAB (Museu de Arte Brasileira da Faap). Aliás, para quem ainda não os conhece, são dois gêmeos idênticos, grafiteiros e artistas plásticos, que extrapolaram os muros paulistanos e passaram a expor/grafitar nos principais museus e galerias de arte do mundo, como o Tate Modern em Londres, a Deitch Projects em Nova York e, pasmem, até num importante castelo escocês.

Os irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo (Foto: Reprodução - Galeria Fortes Villaça)

E é por isto que no(s) próximo(s) posts eu irei apresentar os resultados dos meus passeios pelos mercadões aqui de Londrina. E isto pra ver em que pé estão; se relegados à própria sorte ou se estão conseguindo se adaptar às exigências de seus frequentadores; normalmente, mais exigentes do que a média. Ao menos pra compensar parte da minha mezzo frustração, já que nem a capital paulista deve receber, tão cedo, outra mostra parecida como a apresentada pelos irmãos Pandolfo no MAB. Fazer o quê?

Até a próxima! :)

[ChuckWilsonDB]

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Saiba mais:

O bom e velho Iggy and the Stooges [Leia]

Planeta Terra 2009: finalmente! [Leia]

Um dia a mais na capital paulista [Leia]

Osgemeos: abertura da mostra [Leia]

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Veja também:

Nosso providencial esbarrão com o Sonic Youth e o Copacabana Club no Hilton Hotel (Vídeo: CWDB)

Nosso grupo de volta ao micro-ônibus – Rumo à Londrina (Vídeo: CWDB)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Experimente: 2ª parte

Dando sequência ao meu último post, destaco mais duas bandas que assisti e gostei no Experimente, novo programa de Edgard Piccoli no Multishow: a carioca Rockz e a paulistana Hurtmold.

 

Rockz (Foto: Julia Riff)

O início, digamos, foi meio conturbado. Ao finalizar seu primeiro álbum -porém antes de lançá-lo, é bom dizer-, os caras perderam seu vocalista, alçaram o guitarrista ao posto e foram obrigados a rever todo o repertório e gravá-lo novamente. Com membros experientes que já tocaram ao lado de gente como Lobão e em bandas como Funk Fuckers e Planet Hemp, a banda lançou neste ano o que seria seu primeiro álbum oficial, A Tão Sonhada Bicicleta.

Hare Hare (A Tão Sonhada Bicicleta)

Apesar de uma certa supervalorização, os caras são bons. Para os fãs pode até soar blasfêmico este meu comentário, mas convenhamos, se deparar logo de cara com coisas do tipo “superbanda do rock carioca” (myspace), “mesmo num gesto prosaico como beber água, o vocalista se movimenta como se fosse Jimi Hendrix prestes a incendiar sua guitarra” (last.fm) ou ainda “uma das bandas mais potentes, inteligentes e divertidas do rock atual” (PopMata), causa -pelo menos a princípio-, uma certa má vontade em quem ainda não os conhece. Mas ultrapassada esta barreira inicial, destaco três boas músicas deste quarteto carioca: Tô Planejando, carro-chefe do álbum, cujo registro pode ser conferido abaixo, Divertido e Veloz e a potente Hare Hare.

Rockz no Experimente, novo programa do Edgard no Multishow [Streaming & Download]

hurtmold

A banda se apresentando no Sesc Pompéia, em São Paulo, em agosto deste ano. (Foto: Adriano Moralis)

O Hurtmold já é um velho conhecido nosso. Na estrada desde 1998, eles já têm cinco álbuns lançados: Et Cetera (2000), Cozido (2002), o split Hurtmold/The Eternals (2003), Mestro (2004) e o homônimo Hurtmold, em 2007. Para quem ainda não conhece a banda, ela é taxada por muitos -não que isto importe, na verdade- como sendo de post-rock, gênero que reúne influências de rock alternativo, jazz e também de músicas eletrônica e experimental. Outras bandas que também se enquadrariam no gênero seriam as ótimas Tortoise (EUA), Sigur Rós (Islândia), Mogwai (Escócia) e Godspeed You! Black Emperor (Canadá); cada uma, claro, com suas devidas particularidades.

Sabo (Hurtmold)

Além da parceria com os norte-americanos do The Eternals iniciada em 2003 e que resultou em três turnês pelo Brasil, a banda também já excursionou com o Chicago Underground, de Rob Mazurek. Este fato, aliás, acabou gerando um novo projeto, o São Paulo Underground, banda avant-garde formada em 2005 que já se apresentou em diversos países da Europa e também nos Estados Unidos e Canadá.

Barulho do Ponteiro 2 (The Principle of Intrusive Relationships – São Paulo Underground)

Só como curiosidade, tanto o Hurtmold como o Chicago Underground já se apresentaram por aqui. Isto foi em 2004, no saudoso Londrina Jazz Festival, organizado pela extinta produtora Madame X. Um pouco mais recentemente os caras se transformaram na banda de apoio de Marcelo Camelo, Los Hermanos, em sua carreira solo, participando da gravação do álbum Sou e também de sua turnê de lançamento. Na sequência, música nova: Chavera.

Pela falta de registro da apresentação dos caras no programa do Edgard no YouTube, segue a realizada no MIS, em São Paulo, em março de 2010. [Streaming & Download]

No próximo post, duas outras bandas: Seychelles de São Paulo e Júlia Says, de Recife.

Até a próxima!

[ChuckWilsonDB]

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Experimente. Onde: Multishow. Quando: toda terça, 23h. Horários Alternativos: Quarta - 12h, Quinta - 13h30, Sexta – 1h30 e 7h30, Sábado - 18h30 e Segunda - 8h30.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Experimente

Dias atrás, zapeando do sofá, peguei um pedacinho do Experimente, novo programa de Edgard Piccoli no Multishow. A ideia é simples, mas interessante. De “seu” apartamento, duas bandas já conhecidas do cenário independente são chamadas para bater um papo com o apresentador, tocar para alguns convidados e, ao final, participar de uma jam session, às vezes, bem interessante. Como eu gostei do que vi, resolvi ir em busca de alguns bons registros ao vivo para compartilhar com vocês.

Edgard Piccoli no estúdio do Experimente, no Multishow. (Foto: Divulgação)

A primeira performance é da banda Black Drawing Chalks, de Goiás. Eles tocam um stoner rock com uma pegada setentista e já têm dois álbuns lançados, Big Deal (2007) e Life Is a Big Holiday For Us (2009), ambos pela Monstro Discos. Neste ano, eles foram indicados em três categorias no VMB: Aposta MTV, Rock Alternativo e Videoclip do Ano com My Favorite Ways, música que pode ser conferida na sequência.

Black Drawing Chalks [Ouça e faça download]

O próximo registro é de um power trio pouco usual. Trata-se de Lucy and the Popsonics, uma banda de electro-punk formada por duas pessoas, Fernanda (baixo e vocal) e Pil Popsonic (guitarra), + um mp3 travestido de bateria eletrônica; no caso, Lucy. De início, o maior objetivo era ter passagem livre e bebida de graça nas baladas mais bacanas de Brasília, algo que foi mudando à medida em que passaram a frequentar festivais importantes como o Goiânia Noise, o Planeta Terra e o South by Southwest (Texas/EUA), e excursionar pela Europa. Com apenas dois anos de estrada e um álbum lançado, o “trio” toca Eletronische Musik. Música para se divertir; principalmente, ao vivo.

Lucy and the Popsonics [Ouça e faça download]

Definida pelos integrantes como uma banda paulistana formada por não-paulistanos, o Bazar Pamplona surgiu em 2004 numa república de estudantes da avenida Paulista. Porém, só em 2005, quando finalmente conseguiram fechar a atual formação, que passaram a se considerar, digamos assim, uma banda de verdade. Tendo como principais influências os Beatles, Bob Dylan, Beach Boys e tropicalistas como Os Mutantes, Tom Zé e os primeiros álbuns de Caetano & Gal, talvez esteja aí a explicação para as letras soarem tão criativas e bem humoradas, mas por outro lado, tão despretensiosas. Escutem esta:

 If You Can Sing This Thanks An English Teacher

“Congratulations with your dictionary
Now you know how to spell Coca-Cola
Have a nice day, take care about the Big Stick
And welcome to american way of life
If you can sing this thank an English teacher
[Pay attention on lesson one]
The book is on the table, anytime anywhere you go,
the book is always on the table
The sky is blue and time is money
And the devil is George W. Bush
If you can sing this thank an English teacher
[Peace could be after me]
Yes, we have bananas
lalala la lalala la (2x)
lalala la lalala la (2x)
If you can can sing this thank an English teteteteacher teacher
If you can sing this thank an English teacher (2x)”

Na sequência, Um Recado para Karen Cunha, numa pitoresca performance a La Dylan, com direito a complô contra o baterista ao final da música.

Bazar Pamplona [Ouça e faça download]

.E pra finalizar o post, a propalada jam session entre Black Drawing Chalks e Lucy and the Popsonics. Eles tocam I Want You So Hard do Eagles of Death Metal, mais um dos trabalhos paralelos de Josh Homme, líder do QOTSA e integrante do Them Crooked Vultures.

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No próximo e último post sobre o programa, mais três bandas: Seychelles, Rockz e Hurtmold

Até a próxima!

[ChuckWilsonDB]

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Experimente. Onde: Multishow. Quando: toda terça, 23h. Horários Alternativos: Quarta - 12h, Quinta - 13h30, Sexta – 1h30 e 7h30, Sábado - 18h30 e Segunda - 8h30.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Planeta Terra 2009: finalmente!

Consolidado como um dos maiores festivais do país, a edição deste ano do Planeta Terra Festival acontecerá amanhã, dia 7 de novembro, no Playcenter em São Paulo. As atrações, 14 ao total, estarão divididas em dois palcos, conforme segue:

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SONORA MAIN STAGE

(clique sobre os links para conhecer melhor cada banda)

16:00 - 17:00 - Macaco Bong

17:30 - 18:30 - Móveis Coloniais de Acaju

19:00 - 20:00 - Maxïmo Park

20:30 - 21:45 - Primal Scream

22:00 - 23:30 - Sonic Youth

00:00 - 01:30 - Iggy and The Stooges

02:00 - 03:00 - Etienne de Crécy (live act)

 

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COCA-COLA ZERO STAGE

17:00 - 17:45 - Fuja Lourdes (vencedora do concurso Hit Zero)

18:00 - 19:00 - Ex!

19:30 - 20:30 - Copacabana Club

21:00 - 22:00 - Patrick Wolf

22:30 - 23:40 – Metronomy

00:00 - 01:00 - The Ting Tings

01:30 - 02:30 - N.A.S.A.

03:00 - 04:00 - Anthony Rother (live act)

 

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INFORMAÇÕES IMPORTANTES SOBRE O FESTIVAL


LOCAL

O Playcenter fica localizado na Rua José Gomes Falcão, 20, no bairro da Barra Funda. Para quem optar por ir de carro, haverá estacionamento no local e transfer até a entrada do evento. Também haverá serviço de táxi disponível.

Iggy Pop (Foto: Guy Eppel, Flickr)


ENTRADA

A abertura dos portões ocorrerá às 14h e os brinquedos do parque começarão a funcionar a partir deste horário. Verifique em seu ingresso por qual dos portões você irá entrar, se pelo portão "P1" ou "P2". Para ingressar no Playcenter será obrigatório apresentar um documento original com foto. No caso de estudantes, também será necessário a carteira de estudante com data de validade (ou um comprovante de matrícula de 2009), além de um documento original com foto.

Clique sobre o link e conheça mais detalhes sobre como chegar (de carro ou de ônibus) ao local do evento.


O QUE SERÁ E O QUE NÃO SERÁ PERMITIDO

Câmeras fotográficas estão liberadas. Porém é proibida a entrada de gravadores e filmadoras e também está vetada a entrada de quaisquer tipos de arma, caixa, foguete, objeto pontiagudo (de vidro, plástico ou metal), assim como bebidas e alimentos. A censura é 18 anos.

Sonic Youth (Foto: wrappedupinbooks, Flickr)


BRINQUEDOS EM FUNCIONAMENTO

Cataclisma, Evolution, Wave Swinger, Barco Viking, Swing Dance, Waimes, Monga, Boomerang, Double Shock, Looping Star, Turbo Drop, Windstorm, Auto Pista, Tattoo Mania e Sky Coaster (este último, no entanto, será cobrado a parte - R$ 79,80 o vôo triplo).

Primal Scream (Foto: Quique López, Flickr)


FIQUE POR DENTRO


 Fã de São Paulo, guitarrista do Sonic Youth fala da apresentação. [Leia]

"Vou fazer esse show valer a pena", afirma Iggy Pop. [Leia]

Iggy and The Stooges fazem ensaios secretos para o Planeta Terra em São Paulo. [Leia]

Primal Scream é um dos maiores nomes do rock escocês. [Leia]

Maxïmo Park revitalizou pós-punk no Reino Unido. [Leia]

Móveis Coloniais de Acaju: "Queremos impressionar quem não nos conhece" [Leia]

Trio do Macaco Bong mostra rock instrumental com peso. [Leia]

Estacionamentos para o Planeta Terra terão 2 mil vagas. [Leia]

Confira o Planeta Terra Festival 2009 ao vivo no Terra TV [Leia]

 

 

Maxïmo Park (Foto: Guy Eppel, Flickr)

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Planeta Terra Festival 2009. Onde: Playcenter (r. Rua José Gomes Falcão, 20, Barra Funda, São Paulo, SP). Quando: sábado, 07/11, a partir das 14h. Informações sobre ingressos: Ticketmaster ou pelo Call Center 0++/11/2846-6000.

[ChuckWilsonDB]

domingo, 25 de outubro de 2009

Um dia a mais na capital paulista

Normalmente quando embarco para São Paulo, minha estada é relâmpago. É raro ultrapassar um dia, um dia e meio. Da última vez, por exemplo, eu e um grupo de amigos saímos cedo daqui de Londrina e fomos à Chácara do Jockey, onde assistimos aos shows de Los Hermanos, Kraftwerk e Radiohead. No entanto, tão logo a banda inglesa tocou os últimos acordes de Creep -terceiro bis, diga-se de passagem-, já nos preparávamos para voltar a Castelo.


Bom, mas pelo tudo indica, isto não deve acontecer novamente. Pelo menos, não tão rápido. Isto porque desta vez, é muito provável que eu consiga ficar na capital paulista até o dia seguinte ao do Planeta Terra. Sendo assim, estou em busca de algumas dicas para aproveitar melhor minha estada. A primeira eu já consegui. Trata-se de uma exposição que vai ocorrer no MAB (Museu de Arte Brasileira da Faap), a Mostra “Vertigem”, produzida pelos artistas plásticos e grafiteiros Gustavo e Otávio Pandolfo, mais conhecidos como “osgemeos”.

Para quem ainda não os conhece, eles são os nossos mais respeitados representantes da Street Art no exterior, com trabalhos expostos em galerias como a Deitch Projects, uma das mais conceituadas de Nova Iorque -responsáveis, inclusive, pelos trabalhos de Keith Haring e Jean-Michel Basquiat-, e no museu britânico de arte moderna, o Tate Modern. Um de seus trabalhos mais inusitados foi a grafitagem realizada no Kelburn Castle, um castelo do século XIII na Escócia, juntamente com mais dois expoentes do grafite brasileiro, Nunca e Nina.

O Metrópolis é exibido pela TV Cultura de 2ª a 6ª às 21h40

Além das peças expostas em Curitiba e no Rio de Janeiro, a mostra também apresentará obras exclusivamente concebidas para o espaço da Faap. A exposição começa hoje, 25 de outubro, e vai até o dia 13 de dezembro.
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Onde: MAB (r. Alagoas, 903, Higienópolis, tel. 0++/11/3662-7198, São Paulo). Quando: de terça a sexta, das 10h às 20h, e sábados, domingos e feriados, das 10h às 17h. A entrada é grátis.

[ChuckWilsonDB]

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O bom e velho Iggy and The Stooges

Quando foi anunciado o Claro que é Rock em 2005, eu já havia comprado o ingresso para o Tim Festival que, na ocasião, traria The Strokes, Kings of Leon, The Arcade Fire, M.I.A. e Mundo Livre S/A para o Anhembi. Como eu iria com um grupo de amigos e o ingresso não era dos mais baratos, não foi possível encarar os dois festivais de uma vez - ainda mais porque a viagem ficaria muito mais cara indo sozinho. Resultado: não pude invadir o palco dos Stooges, reclamar do som no show do Sonic Youth, socar (no melhor dos sentidos) a bolha transparente do Wayne Coyne, nem curtir o "industrial" do Trent Reznor. Ah... E ainda tinha a Nação Zumbi e o Fantomas, do nosso amigo Mike Patton - que estranhamente também estará em São Paulo no mesmo dia 07 de novembro, só que com o Faith no More.


Wayne Coyne, do Flaming Lips, no Claro que é Rock 2005.
[Crédito: Marcos Hermes at whiplash.net]

Mas depois de muito falatório e uma demora preocupante para a definição do line-up do Planeta Terra deste ano, finalmente, os caras anunciaram as duas atrações que, a meu ver, já valem o festival: Iggy and the Stooges e Sonic Youth. Uma espécie de redenção pessoal, já que eu perdi a oportunidade de vê-los, e também um muito bem vindo revival do que foi o Claro que é Rock em 2005. Exagero? Não creio. Sacanagem com a memória do Tim 2005? Afinal, o show do Arcade Fire foi sensacional. Talvez. Mas e daí?


Arcade Fire no Tim Festival 2005. Anhembi, São Paulo.
[Crédito: "flaviadurante" at Flickr]

Bom, mas apesar da importância do Sonic Youth para o rock dito alternativo, e mesmo para mim como fã, peço licença para me focar apenas nos Stooges desta vez; estes, sem dúvida alguma, responsáveis por algumas das histórias mais interessantes e, por que não?, tragicômicas, não só da chamada Blank Generation, como do próprio rock´n´roll. Como, por exemplo, o episódio em que Iggy se encontra com Wayne Kramer após o término da banda do ex-líder do MC5. Época em que este estava brigado com os demais ex-integrantes e que, no sentido de completar o vazio dessa perda, da vida no MC5, acabou por se tornar bandido e traficante.


Sonic Youth

Por conta de uma antiga dívida que Iggy contraiu quando os dois começaram a traficar juntos - pouca coisa, algo como US$ 200 aproximadamente -, Kramer o encontrou acompanhado de um capanga (ele tinha receio que Scoth Asheton interferisse) no hotel onde os Stooges estavam hospedados. Apesar de ter refrescado a memória do Iguana quanto à dívida, o "combinado" seria que a grana de Iggy seria trocada por heroína. No entanto, ao entregar o dinheiro, Kramer disse algo mais ou menos assim: "Estamos quites, agora!" O quê? Quer dizer que não tem droga?, teria perguntado um Iggy atônito. "Não", teria sido a resposta. Iggy então começa a chorar, quando o capanga de Kramer, comovido, o abraça e diz algo como: "Calma irmão, são apenas drogas. Não fica assim."


Iggy and The Stooges com James Williamson e Scott Thurston.

Ou então outros episódios antológicos como o show que antecedeu a gravação do Metallic K.O. no Michigan Palace, último show da carreira da banda até então. Dias antes, Iggy entraria em conflito com um grupo de motoqueiros durante uma apresentação e saltaria do palco vestido de bailarina em direção ao cara que mais o importunava na platéia. Acabou surrado - o que em qualquer outro caso, teria acabado imediatamente com o show. Mas não, não com os Stooges.

Recuperado, segundo o próprio Iggy Pop em depoimento a Legs McNeill e Gillian McCain no livro "Mate-me Por Favor" (ed. L&PM), ele volta ao palco e, junto com a banda, tocam uma versão gigantesca de "Louie, Louie" (segundo Lester Bangs, de mais de 40 minutos), alternando os versos originais com outros improvisados e repletos de xingamentos direcionados aos caras que, além de retribuirem a gentileza, somaram à ela uma saraivada de garrafas e outros objetos que foram jogados ao palco. Ah... É válido ressaltar que na versão de Bangs em seu livro "Reações Psicóticas" (Psychotic Reactions and Carburetor Dung), da ed. Conrad, a ordem dos fatores não é exatamente a mesma.

Mas enfim, foi somente com a vinda da polícia que o show, finalmente, acabou. Porém, não, não é o fim da história. Ainda não satisfeito, o Iguana vai à uma estação de rádio local (não exatamente na sequência) e faz uma nova provocação aos motoqueiros que, segundo Bangs, é respondida por meio de um telefonema: caso o tal show do Michigan Palace ocorresse, os Stooges seriam mortos pela gangue. Resumindo, o show acabou acontecendo e uma nova batalha foi travada, já que a banda foi acompanhada desta vez de sua própria gangue de motoqueiros que ali mesmo do palco, rivalizou com a platéia durante todo o show. E não, ninguém morreu.


Iggy Pop: Quem precisa de bolha, Wayne?!

Agora... Engana-se quem pensa que eles nunca mais teriam problemas com motoqueiros. Por alguma razão, Scott Asheton acabou contraindo uma dívida que os obrigou a transformar a Fun House numa verdadeira fortaleza, com tapumes em portas e janelas (que eram devidamente arrancados e recolocados à medida que entravam e saiam da casa) e recheado de armas como medida de segurança - que, aliás, acabou se mostrando desnecessária, já que eles nunca apareceram para cobrá-la. Por conta disto, e já que o prédio seria demolido pelo município, não perderam a viagem. Descarregaram todas elas na casa mesmo, adiantando parte do serviço.

É, realmente o que os caras mais têm são histórias. E das boas. Histórias estas que podem ser conferidas nesses dois livros citados a pouco: "Mate-me Por Favor" e "Reações Psicóticas". Ambos, aliás, podem ser encontrados facilmente em qualquer grande livraria como Saraiva, Cultura ou FNAC. Ah, detalhe: o "Mate-me Por Favor" foi desmembrado em dois volumes pela L&PM e transformado numa versão pocket, porém sem prejuízo ao texto que ainda permanece integral.

Em suma, se a apresentação dos Stooges for como de costume, podemos esperar grandes momentos deste festival. E isto, independentemente, da baita falta que fará o grande Ron Asheton, falecido recentemente e substituído pelo ex-guitarrista dos Stooges, James Williamson, co-autor de Raw Power juntamente com Iggy Pop. Aliás, justamente por isso, é que poderemos rever a íntegra desse grande álbum. Uma ironia, mas enfim...



Iggy and The Stooges no Claro que é Rock 2005. Chácara do Jockey, São Paulo.


[ChuckWilsonDroogieBoy]