Grafite, outro tema que eu sempre gostei. Aliás, algo relativamente comum desde a minha adolescência. Ou não? Bom… Na verdade, não. Antes tinha mais a ver com pixação mesmo. Só no finalzinho desse período, quando muitos já tinham migrado das ruas para as faculdades e escritórios é que o grafite -de forma bem tímida ainda- passou a dar as caras por aqui. Na época, ambos contravenções com direito a botas de spray customizadas pela polícia. Hoje, tema, inclusive, de programas sociais ligados à prefeitura. Pois é… Nada como um dia após o outro.
Da esquerda para a direita: trabalhos d’osgemeos, Nunca e Titi Freak. (Fotos: Divulgação)
Starte
Como (nem) todos sabem, este foi um grande ano para a street art em São Paulo. Ano em que, finalmente, ela passou a integrar o rol de convidados (e não de invasores) da tradicional Bienal paulistana e, vejam só, ano também em que conquistou sua própria mostra, a Bienal Internacional Graffiti Fine Art; mote, aliás, deste novo episódio do Starte que eu compartilho com vocês.
Realizada de setembro a outubro deste ano no MuBE (Museu Brasileiro da Escultura), a mostra contou com a presença de artistas brasileiros de peso como Binho Ribeiro, um dos curadores, Rui Amaral, osgemeos, Nina, Nunca, Titi Freak, Zezão, Speto, além de representantes das Américas, Europa, Ásia e Oceania. Neste episódio, vocês não vão apenas conferir o que rolou no evento, mas também conhecer um pouco mais dessa arte que deu seus primeiros passos (ainda que inconscientes) na Paris de 1968, tornou-se concreta na Nova Iorque de Warhol e Keith Haring e hoje, principalmente, tem São Paulo como um de seus maiores expoentes. Bom programa.
Starte com Bianca Ramoneda e Elisabete Pacheco: todas as terças às 23h30 na Globonews.
Minha última passagem por São Paulo, como não podia deixar de ser, foi fantástica em alguns aspectos, frustrante em outros. Fantástica, pois numa mesma noite assisti a dois shows sensacionais que eu já havia perdido em 2005, no Claro que é Rock, e que pensei que jamais teria a oportunidade de vê-los juntos novamente -ao menos, não no Brasil: Sonic Youth e o lendário Iggy and the Stooges.
Ah, claro! Tiveram outros -afinal de contas, era um festival. E alguns muito bons como no caso dos brasileiros EX! (SP), Macaco Bong (MT) e Móveis Coloniais de Acaju (DF) -que, diga-se de passagem, eu perdi por ter não ter conseguido chegar a tempo no Playcenter, local dos shows-; dos britânicos Primal Scream -mornos na ocasião-, Maxïmo Park e Patrick Wolf; do mezzo brasileiro N.A.S.A. e dos DJs Anthony Rother (Alemanha) e Etienne de Crécy (França).
Kim Gordon (Sonic Youth)rodopiando no palco: entusiasmo de adolescente (Foto: Reinaldo Marques - Terra)
Mas nada que rivalizasse com os dois -e mais um terceiro que vocês logo saberão qual é- que nos proporcionaram momentos antológicos como o tombo -ou o quase-tombo da onde eu estava- da Kim Gordon no palco, desequilibrada pelos rodopios infantis -e alucinados- de quem estava satisfeita por estar onde estava; a invasão de um centena de fãs ensandecidos a pedido de um Iguana igualmente insano que do alto dos seus 62 anos, com sua lordose a tiracolo e seu saracoteio tradicional, viu mais tarde serem expulsos com truculência pelos seguranças que não pouparam sequer os fotógrafos que, assim como eles, estavam ali a trabalho; ou ainda sua já famosa bunda de fora ao final do show com a sensacional Lust for Life(ouça abaixo – 4’40) que os menos desavisados devem conhecer da trilha de Trainspotting.
Fãs atendendo ao pedido de um “solitário” Iggy Pop no palco: “I’m alone” - reparem que eu apareço bem no meio da gravação (Vídeo: CWDB)
E ainda houve tempo para uma segunda invasão -igualmente animada, porém desta vez pacífica-, e justamente no palco da tal terceira opção mencionada a pouco, o N.A.S.A. (North America South America), grupo formado pelo produtor Sam Spiegel -irmão do cineasta norte-americano Spike Jonze- e pelo ex-Planet Hemp DJ Zegon. O show, com seus samplers, robôs e alienígenas b.boys, acabou superando minhas expectativas e, juntamente com Iggy e seus “patetas” e o Sonic Youth, figurou entre os pontos altos do festival -dos que eu pude conferir, obviamente. Isto sem contar o próprio Playcenter, com seus brinquedos liberados, sua bem estruturada praça de alimentação e suas grandes filas molhadas pela chuva -às vezes fina, noutras nem tanto- que insistiu em cair durante boa parte do festival.
Assista com ou sem legendas.
Terminado o festival -não antes de andar em pelo menos dois dos brinquedos-, nos juntamos, pegamos um táxi e voltamos ao hotel que ficava quase encostado ao Playcenter. Pegamos um taxista com cara de poucos amigos -talvez por conta do valor da corrida, inexpressivo pela distância- e fomos embora. Cheguei, empacotei, mas não antes de ajustar o despertador do celular para me acordar algumas poucas horas mais tarde -umas duas ou três mais ou menos. Afinal, um sanduíche de mortadela me aguardava ansioso no mercadão.
Qualquer semelhança com o Teatro Municipal não é mera coincidência. O escritório Francisco Ramos de Azevedo, responsável pela construção do mercadão, também assinou o projeto do teatro. (Fonte: Reprodução - NossaCozinha)
E é justamente aí que reside a minha frustração. Pois apesar dos shows memoráveis, do parque de diversões, das companhias agradáveis e da minha quase-invasão de palco no show dos Stooges -já que eu apenas pulei a grade e fiquei no fosso junto aos fotógrafos, visto que, naquela altura, os seguranças já estavam distribuindo sopapos em quem quer que se atrevesse a cruzar seus caminhos-, minha estada havia sido reduzida para antes do almoço, mesmo tendo todo o domingo pela frente e estando a apenas oito míseras horas de distância de Londrina; e isto de ônibus!
O famoso sanduíche de mortadela do mercadão em São Paulo (Foto: Reprodução – Seu Restaurante)
Frustrado -pero no mucho, já que na volta pra casa esbarramos com o Sonic Youth no Hilton-, fui obrigado a adiar mais uma vez o sanduíche de mortadela do Bar do Mané no mercadão e, pior, deixei de conferir a tão aguardada exposição d’osgemeos no MAB (Museu de Arte Brasileira da Faap). Aliás, para quem ainda não os conhece, são dois gêmeos idênticos, grafiteiros e artistas plásticos, que extrapolaram os muros paulistanos e passaram a expor/grafitar nos principais museus e galerias de arte do mundo, como o Tate Modern em Londres, a Deitch Projects em Nova York e, pasmem, até num importante castelo escocês.
Os irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo (Foto: Reprodução - Galeria Fortes Villaça)
E é por isto que no(s) próximo(s) posts eu irei apresentar os resultados dos meus passeios pelos mercadões aqui de Londrina. E isto pra ver em que pé estão; se relegados à própria sorte ou se estão conseguindo se adaptar às exigências de seus frequentadores; normalmente, mais exigentes do que a média. Ao menos pra compensar parte da minha mezzo frustração, já que nem a capital paulista deve receber, tão cedo, outra mostra parecida como a apresentada pelos irmãos Pandolfo no MAB. Fazer o quê?
Conforme mencionei no meu penúltimo post, estreou no dia 25/10, a mostra "Vertigem", dos artistas plásticos e grafiteiros Gustavo e Otávio Pandolfo, mais conhecidos como "osgemeos". Como vocês poderão conferir na matéria do Metrópolis, o MAB lotou, porém com um público bem diferente daquele que, normalmente, costuma frequentar galerias e museus. O que talvez explique esse ecletismo, seja a crescente exposição dos trabalhos d´osgemeos na mídia, o caráter urbano do que eles produzem, além dos aspectos lúdico, onírico e, principalmente, interativo de suas obras. Claro, claro, sem contar o talento dos caras que, diga-se de passagem, é inquestionável.
E a trilha da exposição ficou a cargo do ex-Mestre Ambrósio e amigo pessoal da dupla, Siba, que se apresentou com sua nova banda, "Siba e a Fuloresta", o que deu um caráter ainda mais pitoresco à abertura. A mostra, que vai até o dia 13 de dezembro, faz um apanhado geral da carreira dos artistas, porém, trazendo duas instalações inéditas; no caso, “O Pássaro” e “O Farol”, criadas especialmente para o espaço da Faap. Veja como foi a abertura:
O Metrópolis é exibido pela TV Cultura de 2ª a 6ª às 21h40
__________________ Onde: MAB (r. Alagoas, 903, Higienópolis, tel. 0++/11/3662-7198, São Paulo). Quando: de terça a sexta, das 10h às 20h, e sábados, domingos e feriados, das 10h às 17h. A entrada é grátis. [como chegar]
Ainda em busca de opções
Confesso que a notícia de que eu só vou ficar 12h a mais em São Paulo, acabou cortando um pouco meu barato, mas enfim, vamos ver o que é possível fazer nesse meio tempo. Bom, caso a gente fique até as 4h no Playcenter, local dos shows, eu ainda vou ter que enrolar mais duas horas até a abertura da primeira opção que me veio à cabeça: o Mercado Municipal.
Qualquer semelhança com o Teatro Municipal não é mera coincidência. O escritório Francisco Ramos de Azevedo, responsável pela construção do mercadão, também assinou o projeto do teatro. (Foto: Reprodução - NossaCozinha)
Segundo consta, o mercadão só foi inaugurado em 1933, por conta de um fato relevante da nossa história: a Revolução de 1932. Fato, aliás, que o obrigou a se transformar num paiol de armas, no que seria o seu primeiro ano de atividade. Trinta anos depois, assim que a CEAGESP foi criada, ele sofreu um declínio que só foi, definitivamente, suplantado em 2004, data da última reforma. Reforma esta, que conseguiu resgatar toda a antiga opulência dos tempos do café, época em que São Paulo ainda estava no seu primeiro milhão de habitantes.
Mercadão Paulistano: corredores inspirados. (Foto: Paula FJ at Flickr)
Armadilha para chefs (profissionais ou não). (Foto: Mário Marques at Flickr)
Difícil não gostar. (Foto: A r o l d o at Flickr)
O Bar do Mané -responsável por tornar famoso, ainda em 1979, o sanduiche de mortadela do mercadão- funciona todos os dias, até as 17h. (Foto: Danilo Ferreira, Cenas da Cidade)
O sanduíche de mortadela do Bar do Mané(Foto: Danilo Ferreira, Cenas da Cidade)
O Mercado Municipal Paulistano fica na r. da Cantareira, 306, Parque D. Pedro II, Centro. Funciona de segunda a sábado das 6h às 18h e nos domingos e feriados, das 6h às 16h. [como chegar]
Outro lugar bem bacana, que provavelmente não vai rolar, é a Feira de Artes e Artesanato da Praça da Liberdade, mais conhecida como “Feirinha da Liberdade”. Funcionando desde 1975, ela é considerada a segunda maior feira de artesanato da cidade de São Paulo. Atualmente ela possui cerca de 240 barracas, onde é possível encontrar produtos ligados tanto à cultura oriental, quanto à brasileira –se bem que, no caso desta, em menor quantidade, claro.
A Feirinha da Liberdade funciona aos sábados das 9h às 18h e aos domingos das 10h às 19h. (Foto: Afonso Oliva at Flickr)
Feirinha da Liberdade [como chegar]. (Foto: Samucaº at Flickr)
O ”Beco do Batman”, lá na Vila Madalena, também seria um passeio bem bacana, caso o tempo não fosse tão escasso. A r. Gonçalo Afonso, seu verdadeiro nome, é um tradicional reduto do grafite paulistano, ultimamente, bastante requisitado pelos gringos (e cada vez mais também por brasileiros) como destino turístico. Isto, aliás, como reflexo do reconhecimento do nosso grafite lá fora e também do crescente interesse pela Street Art no mundo.
A r. Gonçalo Afonso, ou o "Beco do Batman", fica no início da r. Harmonia. Outra sugestão seria o "Beco das Cores", bem próximo dali, com entrada pela r. Belmiro Braga. (Foto: Reprodução - Coisas de São Paulo)
E só pra mencionar, já que nem se eu tivesse tempo daria para visitá-la –já que ela não abre aos domingos-, a Fortes Vilaça é uma galeria que tem como foco artistas contemporâneos como, por exemplo, os irmãos Pandolfo, Vik Muniz, Beatriz Milhazes, Ernesto Neto e Luiz Zerbini. Ah, ela também fica na Vila Madalena que, aliás, tem mais um monte de coisas legais, desde bares, restaurantes, lojas, galerias, enfim, como pra mim não vai dar, que dê pra alguém. É isso aí!
A Galeria Fortes Vilaça fica na r. Fradique Coutinho, 1500 e funciona de terça a sexta, das 10h às 19h e aos sábados, das 10h às 17. (Foto: Ana Carmen at Flickr) [como chegar]
Normalmente quando embarco para São Paulo, minha estada é relâmpago. É raro ultrapassar um dia, um dia e meio. Da última vez, por exemplo, eu e um grupo de amigos saímos cedo daqui de Londrina e fomos à Chácara do Jockey, onde assistimos aos shows de Los Hermanos, Kraftwerk e Radiohead. No entanto, tão logo a banda inglesa tocou os últimos acordes de Creep -terceiro bis, diga-se de passagem-, já nos preparávamos para voltar a Castelo.
Bom, mas pelo tudo indica, isto não deve acontecer novamente. Pelo menos, não tão rápido. Isto porque desta vez, é muito provável que eu consiga ficar na capital paulista até o dia seguinte ao do Planeta Terra. Sendo assim, estou em busca de algumas dicas para aproveitar melhor minha estada. A primeira eu já consegui. Trata-se de uma exposição que vai ocorrer no MAB (Museu de Arte Brasileira da Faap), a Mostra “Vertigem”, produzida pelos artistas plásticos e grafiteiros Gustavo e Otávio Pandolfo, mais conhecidos como “osgemeos”.
Para quem ainda não os conhece, eles são os nossos mais respeitados representantes da Street Art no exterior, com trabalhos expostos em galerias como a Deitch Projects, uma das mais conceituadas de Nova Iorque -responsáveis, inclusive, pelos trabalhos de Keith Haring e Jean-Michel Basquiat-, e no museu britânico de arte moderna, o Tate Modern. Um de seus trabalhos mais inusitados foi a grafitagem realizada no Kelburn Castle, um castelo do século XIII na Escócia, juntamente com mais dois expoentes do grafite brasileiro, Nunca e Nina.
O Metrópolis é exibido pela TV Cultura de 2ª a 6ª às 21h40
Além das peças expostas em Curitiba e no Rio de Janeiro, a mostra também apresentará obras exclusivamente concebidas para o espaço da Faap. A exposição começa hoje, 25 de outubro, e vai até o dia 13 de dezembro.
__________________ Onde:MAB (r. Alagoas, 903, Higienópolis, tel. 0++/11/3662-7198, São Paulo). Quando: de terça a sexta, das 10h às 20h, e sábados, domingos e feriados, das 10h às 17h. A entrada é grátis.