segunda-feira, 19 de abril de 2010

Meu amigo, Charlie Brown!

Para ilustrar meu último post -e também para não perder o costume-, eu compartilho com vocês mais um episódio do Starte. Neste programa vamos conhecer um pouco mais da vida e da obra de Schulz por meio de entrevistas com o cartunista Caulos, com o ilustrador, professor aposentado da USP (Universidade de São Paulo) e um dos maiores especialistas em HQs do Brasil Álvaro de Moya e também com o elenco da versão brasileira do musical Meu Amigo, Charlie Brown (You’re a Good Man, Charlie Brown). Sucesso na Broadway, a versão original do espetáculo recebeu dois prêmios Tony (melhor ator e melhor atriz em musical) e três Drama Desk (melhor remontagem de musical, melhor ator e melhor atriz). Assistam:

 

Starte com Bianca Ramoneda e Elisabete Pacheco: todas as terças às 23h30 na Globonews.

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MEU AMIGO, CHARLIE BROWN! - (“You’re a Good Man, Charlie Brown”). De: Clark Gesner (baseado nas tiras cômicas de Charles M. Schulz). Adaptação: Mariana Elisabetsky. Direção Geral: Alonso Barros. Onde: Teatro Shopping Frei Caneca (r. Frei Caneca, 569 - 6º andar, tel. 0++/11/3472-2226, 3472-2229, 3472-2230, São Paulo). Quando: sábados e domingos, às 16h. R$ 60,00 (inteira) - R$ 30,00 (meia-entrada) - Doando na bilheteria uma lata de leite em pó paga-se meia entrada. [como chegar]

Até a próxima!

[ChuckWilsonDB]

terça-feira, 13 de abril de 2010

Os 60 anos de Charlie Brown e sua turma

No ano em que completam 60 anos de vida, um pequeno retrospecto da vida e da carreira de Charles Schulz, pai da turminha e alter ego de um garoto chamado Chuck.

Confesso que quando comecei a ler e a assistir a turma do “Snoopy” -é, pois pra mim (naquela época, pelo menos), o Charlie Brown não estava com essa bola toda-, foi justamente o beagle quem primeiro me chamou a atenção para o universo, digamos, pseudo-infantil dos Peanuts, uma turma cujo tamanho não reflete, necessariamente, o que existe dentro daquelas cabecinhas redondas e simpaticamente desproporcionais.

"O mundo de Peanuts é um microcosmo, uma pequena comédia humana, tanto para o leitor inocente como para o sofisticado."

Umberto Eco (escritor, filósofo, semiólogo, linguista e bibliófilo italiano)

Charles Monroe Schulz

Apesar de ter crescido em St. Paul, Sparky -apelido dado por um dos tios aos dois dias de vida- nasceu em Minneapolis, Minnesota (EUA), em 26 de novembro de 1922. Assim como Charlie Brown, seu alter ego, ele foi um garoto retraído, melancólico, solitário, filho de uma dona de casa típica e de um barbeiro alemão. Diferentemente da personagem, entretanto, se alistou no exército assim que perdeu sua mãe, aos 21 anos, e partiu para a Europa lutar contra o nazismo na 2ª Grande Guerra. Logo que deixou o exército, em 1945, tornou-se professor  da Art Instruction Inc., fato que o deixou mais próximo de realizar o sonho de infância: tornar-se cartunista. Sparky & Chuck: autorretrato (Foto: Reprodução/NYWTS)

Primeiras tiras

Seus primeiros trabalhos foram publicados em 1937 na coluna de Robert Ripley, a famosa Ripley’s Believe It or Not! -no Brasil, mais conhecida como Acredite se Quiser. Li’l Folks, suas primeiras tiras regulares, foram publicadas entre 1947 e 1950 no St. Paul Pioneer Press e alguns trabalhos avulsos no The Saturday Evening Post. Em outubro de 1950, há cerca de 60 anos, Schulz passaria a publicar aquela que seria sua série de tiras definitiva, Peanuts.

Aposentadoria

Em dezembro de 1999, quando o cartunista anunciou sua aposentadoria por conta da saúde debilitada, suas tiras já eram publicadas em mais de 2.600 jornais ao redor do mundo. Sparky, no entanto, morreria pouco tempo depois, em 12 de fevereiro de 2000, horas antes de sua última tira ser publicada nos jornais.

Última tira publicada por Schulz: saudade mútua.

”Caros amigos,

Eu fui afortunado em desenhar Charlie Brown e seus amigos por quase 50 anos. Foi a satisfação da minha ambição de infância. Infelizmente, eu não posso mais manter a programação exigida pela tira cômica diária. Minha família não deseja os Peanuts continuando com qualquer um, consequentemente, estou anunciando minha aposentadoria. Sou grato dos anos de lealdade de nossos editores e do maravilhoso suporte e do amor expressado a mim pelos fãs da tira cômica.

Charlie Brown, Snoopy, Linus, Lucy… Como posso esquecê-los.”

Charles Schulz

Curiosidades

O apelido de Schulz, Sparky, deriva do cavalo Spark Plug, da tira Barney Google.

O Schulz Museum foi aberto em homenagem ao cartunista em 17 de agosto de 2002 em Santa Rosa, na California (EUA).

Bill Melendez (ao lado), pioneiro do ramo da animação e notório diretor da maioria dos desenhos de Charlie Brown foi o único artista a ter permissão para trabalhar com os personagens da tirinha. [Saiba mais]

No Brasil, as dublagens ficaram inicialmente a cargo da MAGA, um estúdio baseado na antiga TVS, hoje SBT. Marcelo Gastaldi (ao lado), que também dublava Chaves e Chapolim, era quem falava português por Charlie Brown. Assim que o setor de dublagens foi extinto, a empresa migrou para o estúdio da Marshmallow, que existe até hoje. Gastaldi morreu em 1995 aos 50 anos.

Outros dois estúdios que também trabalharam na dublagem das personagens de Schulz foram a VTI Rio, com Selton Mello -ainda criança- fazendo a voz de Charlie Brown, e a famosa Herbert Richers. [Saiba mais]

Vince Guaraldi (1928-1976), que já foi parceiro de Bola Sete (1923-1987), conceituado violonista brasileiro, foi quem mais fielmente conseguiu representar, em música, o universo de Charlie Brown. No entanto, músicos do calibre de Wynton Marsalis também se envolveram na empreitada. Conheça alguns dos álbuns:

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A Boy Named Charlie Brown (Vince Guaraldi) A Charlie Brown Christmas (Vince Guaraldi)

The Definitive Vince Guaraldi
(Vince Guaraldi)

Joe Cool’s Blues
(Wynton Marsalis)

Jazz For Peanuts - Charlie Brown TV Themes
(David Benoit)
The Charlie Brown Suite & Other Favorites (Vince Guaraldi) The Lost Cues From the Charlie Brown Television Vol. 1 (Vince Guaraldi) The Lost Cues From the Charlie Brown Television Vol. 2 (Vince Guaraldi) Schroeder's Greatest Hits (John Miller) You’re a Good Man, Charlie Brown (The Broadway Musical)
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Algumas tiras do mestre:
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Esta última não é dele, mas acertou em cheio também:

Charles “Sparky” Schulz (1922–2000)

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Saiba mais:

Peanuts Completo: 1950 a 1952

SCHULZ, Charles - L&PM

Saraiva | Cultura

 

Peanuts Completo: 1953 a 1954

SCHULZ, Charles - L&PM*

(O terceiro volume da série será lançado brevemente pela editora que, inclusive, possui outros títulos do autor já lançados)

Saraiva | Cultura

 

Celebrating Peanuts: 60 Years

SCHULZ, Charles - Andrews McMell Pub

Saraiva

 

Schulz and Peanuts: a biography

MICHAELIS, David - HarperCollins USA

Saraiva | Cultura

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No próximo post, uma reportagem especial do Starte (Globonews) sobre Schulz, os Peanuts e o musical Meu Amigo, Charlie Brown (You’re a Good Man, Charlie Brown). O espetáculo, que em sua versão americana foi sucesso na Broadway, está em cartaz no Teatro Shopping Frei Caneca, em São Paulo.

Até a próxima!Snoopy

[ChuckWilsonDB]

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Shakespeare & Co.: uma livraria de verdade

Em 1919, uma americana chamada Nancy Woodbrigde Beach -que mais tarde trocaria seu nome para Sylvia em homenagem ao pai, Sylvester-, fundava a primeira Shakespeare and Company em Paris. Primeiro, na rue Dupuytren. Vinte meses mais tarde, no endereço que a tornaria famosa, o nº 12 da rue de l’Odeon, parada -e morada, em alguns casos-, de uma turba de artistas e intelectuais que viviam ou estavam em trânsito pela Paris dos anos 1920 e 1930. Nomes como James Joyce -de quem publicou a obra-prima Ulisses-, Ernest Hemingway, Ezra Pound, André Gide, T.S. Eliott, Gertrude Stein -que mantinha sua própria (e notória) livraria não muito longe dali-, Simone de Beauvoir -na época ainda jovem-, compositores como George Antheil, George Gershwin dentre outros tantos.

Sylvia Beach e James Joyce no primeiro endereço da Shakespeare and Company, o nº 8, da rue Dupuytre. (Foto: Reprodução)

Mas talvez uma das coisas mais significativas -pelo menos para nós, admiradores- seja que, mesmo após seu fechamento forçado, em 1941 (quando Paris fora ocupada pelos nazistas e sua proprietária ameaçada de ter seu estoque confiscado por não ter vendido seu exemplar autografado de Finnegans Wake a um oficial nazista), foi Sylvia ter seu trabalho reconhecido dez anos mais tarde, quando a Shakespeare & Co. ressurgiu pelas mãos de George Whitman -atualmente, um já quase centenário senhor de 96 anos que, sempre que aparece, causa furor entre clientes vindos de todo o mundo.

Sylvia Beach no segundo e mais famoso endereço da livraria, o nº 12, da rue l’Odeon, reduto de artistas e intelectuais que viviam ou estavam de passagem pela Paris dos anos 1920 e 1930. (Foto: Paul Almasy)

Whitman, sobrinho-neto do poeta norte-americano Walt Whitman, não apenas resgatou a essência do lugar, como homenageou sua antiga proprietária alterando o nome de sua livraria de Le Mistral para Shakespeare and Company e conferindo seu nome à filha, Sylvia Beach Whitman, 29, a atual responsável pelo gerenciamento da bookstore parisiense.

 

Shakespeare and Company no atual endereço: 37, rue de Bucherie - à margem do Sena e defronte à catedral de Notre-Dame. (Foto: William Simon)

Sylvia e George Whitman ladeando o ex-presidente norte-americano Bill Clinton (Foto: Reprodução)

História, aliás, que compartilho com vocês na sequência. Primeiro numa matéria do programa Mundo S/A, da Globonews, e, logo em seguida, no documentário (em inglês) Portrait of a Bookstore as an Old Man, produzido pelos franceses Gonzague Pichelin e Benjamin Sutherlan. Divirtam-se:

Mundo S/A com Rodrigo Alvarez e Joana Calmon: todas as segundas às 23h na Globonews.

E agora, o documentário prometido:

Portrait of a Bookstore as an Old Man -documentário produzido por Gonzague Pichelin e Benjamin Sutherlan (França, 2001, 52', VOSE).

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Saiba mais:

Shakespeare and Company: uma livraria na Paris do entre-guerras

BEACH, Sylvia - Casa da Palavra

Saraiva | Cultura

 

Um Livro Por Dia: minha temporada parisiense na Shakespeare and Company

MERCER, Jeremy - Casa da Palavra

Saraiva | Cultura

 

Os Exilados de Montparnasse

CARACALLA, Jean-Paul – Record

Saraiva | Cultura

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Curiosidade:

Atualmente existem duas imitações nada charmosas da Shakespeare and Company em atividade; ambas nos Estados Unidos. A primeira, a Shakespeare and Co. Booksellers, fica na Broadway, em N. Iorque. A segunda é conhecida como Shakespeare and Co. Books e está situada em Berkeley, na Califórnia.

Até a próxima!

[ChuckWilsonDB]

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Os projetos de Monique

Somente após a banda EX! ser anunciada no line-up do Planeta Terra em 2009, é que o nome de sua vocalista deixou de ser uma incógnita para mim. Mas ao invés de apenas criticar a escolha, resolvi ir em busca de mais informações e acabei descobrindo que ela, Monique Maion, 24, além de estar em meio a quatro (bons) projetos paralelos, MonMaion, Sunset, Die Katzen e EX!, faz parte de um coletivo de artistas que compõem uma parcela bem interessante do que tem rolado de bom no atual cenário independente paulistano.

Do mundo corporativo ao cenário independente

Apresentada pela revista Rolling Stone como a “nova voz paulistana”, Maion estuda música desde os sete anos e compõe desde os quatorze. Formada em canto e, o mais inusitado, em Ciências Contábeis, atuou durante quatro anos na gigante global PricewaterhouseCoopers (firma especializada em consultoria, auditoria e outsourcing) auditando grandes corporações, antes de se entregar definitivamente à música e ao cenário independente.

Rolling Stone Brasil (Foto: Divulgação)

MonMaion

O primeiro projeto -solo, ma non troppo, já que ultimamente tem sido acompanhada por uma banda fixa e com voz ativa no processo criativo- recebeu o nome de MonMaion. Nele, ela encarna a prostituta Lola, descrevendo suas venturas e desventuras, em composições próprias influenciadas pelo blues e pelo jazz e também por nomes do calibre de Tom Waits e Annette Peacock. Isto, claro, acompanhada de excelentes músicos como Fernando Coelho na guitarra e Ladislau Kardos na bateria -ambos do Mamma Cadela; Maurício Biazzi no baixo acústico -integrante da icônica Patife Band de Paulo Barnabé; e Piero Damiani no piano Rhodes, que também toca na Numismata. Recentemente, gravou seu primeiro álbum, Lola -que aliás, ficou bem bacana-, com produção de Luiz Thunderbird.

Monique Maion na pele de Lola, o alter ego que dá vida ao trabalho solo, MonMaion (Foto: Divulgação)

Sunset

O outro trabalho, mais simples e acessível, é uma parceria entre ela e Gustavo Garde, vocalista da  Seychelles -outra banda paulistana bastante competente e já resenhada aqui no blog [leia]. Nele, ambos conseguem imprimir um toque pessoal nas composições que vão do country ao folk e ao rock, desembocando num tropicalismo mambembe e rural que, não  à toa, foi gravado num sítio onde se mantiveram presos, somente quatro meses após terem se conhecido.

Run With Me, destaque do único EP gravado pela dupla, o homônimo Sunset.

Die Katzen

O terceiro trabalho -meu favorito, aliás-, é a banda Die Katzen, de viés mais experimental e eletrônico, que lembra em vários momentos o trip hop do Portishead, só que não com Beth Gibbons no vocal, mas… com Róisín Murphy, a bonita e talentosa vocalista do já extinto Moloko. Com composições que remetem a um “submundo sarcástico, erótico, imprevisível e auto-sustentável”, como ela mesma as descreve em entrevista a Alex Correa da Reverbcity, portal especializado em moda e comportamento indie-rocker, o trio -que também é formado por Renato mCortez (Seychelles) e Ismael Sendeski (Mamma Cadela)- ainda não se apresentou ao vivo e apenas recentemente disponibilizou para streaming seu primeiro EP no Myspace. Altamente recomendável.

EX!

Já em relação ao seu mais recente trabalho, a banda EX!, o enfoque muda e torna-se mais dançante e desencanado, porém não menos bem produzido; aliás, muito pelo contrário. De raiz electro-pop, a banda que recentemente fez parte do line-up do último Planeta Terra, tem direção musical de Arthur Joly, músico que faz um interessante trabalho dentro da música eletrônica, além de ser fundador da gravadora Reco-Head e guitarrista da banda; direção artística de Carlos Pazetto (Brazil’s Next Top Model), referência na produção de eventos e desfiles no mercado de luxo brasileiro; fotografia do stylist Ciro Midena; além de contar com a parceria, diria, estratégica, da Chilli Beans, maior rede de óculos escuros do país e fornecedora de importantes marcas como Forum, Zoomp e Iódice.

Monique se apresentando com a banda EX! no Planeta Terra 2009 (Foto: Divulgação)

Aliás, este último ponto é interessante, pois é muito provável que essa impetuosidade e esse desprendimento mercadológicos sejam reflexos de sua formação acadêmica e também da experiência profissional adquirida em sua passagem pelo universo corporativo, que na medida certa, a afasta do famoso preconceito que diz que negócios, entretenimento e cultura não podem conviver em harmonia.

Making of: EX! se apresentando no Coca-Cola Clothing, festa de encerramento do Fashion Rio deste ano e que teve a produção de Carlos Pazetto. (Vídeo: Arthur Joly)

A Firma

E certamente, não poderia deixar de finalizar este post sem voltar a mencionar o tal coletivo de artistas que Monique faz parte, a Firma. E isto, simplesmente, porque ele compõem um leque interessante de bandas como Mamma Cadela, Seychelles, Ludov, Ancestral, Liga Leve, Sala do Aborto, Heroes, ILoveAmy, além dos projetos já mencionados da cantora e mais alguns outros que ilustram bem -como já havia dito- o atual cenário independente paulistano. Ouça sem preconceito.

Até a próxima!

[ChuckWilsonDB]

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Veja também:

Monique Maion gravando Monkey Skull, do álbum Lola, para o quadro 10 Horas no Estúdio do programa Radiola (Trama).